Pesquisa Quaest mostra que eleitor rejeita os extremos da polarização habitual e pode forçar nova configuração no jogo político programado para 2026.
O teatro da política brasileira insiste em repetir os mesmos atos, com os mesmos personagens, acreditando que o público não se cansa. A obsessão de setores políticos em ressuscitar o voto impresso é só mais um sintoma dessa incapacidade de enfrentar os verdadeiros dilemas do país. Enquanto o Congresso desperdiça energia com propostas já carimbadas como inconstitucionais pelo Supremo, a sociedade dá sinais claros: está saturada.
Segundo a pesquisa Quaest, dois em cada três eleitores não se identificam com os líderes que monopolizam a polarização nacional. O eleitor comum não aguenta mais o cabo de guerra ideológico entre Lula e Bolsonaro. Essa fadiga se traduz em números e, pior, em desconfiança generalizada no sistema político.
O brasileiro percebe que a queda de braço entre poderes, os discursos inflamados e as guerras culturais não colocam comida na mesa, não geram emprego e não resolvem os gargalos históricos da desigualdade. Pelo contrário, apenas ampliam o abismo entre um Estado caro, inchado, e uma população que recebe pouco em troca.
Se a polarização de 2022 se repetir em 2026, há um risco real de esvaziamento de legitimidade. A maioria silenciosa já não vê solução nem em Lula nem em Bolsonaro. Isso abre espaço para uma terceira via? Talvez. O fato é que a paciência do eleitor acabou e o recado é claro: insistir nos extremos é cavar a própria irrelevância.
O Brasil está cansado. A classe política finge que não ouve, mas a sucessão de 2026 pode ser definida justamente por essa fadiga coletiva. Quem souber se apresentar como alternativa viável ao desgaste dos polos terá em mãos a chave para redesenhar o jogo.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em Mkt político.









0 comentários