O senador Nelsinho Trad cobrou explicações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) diante da falta de vacinas contra carbúnculo e clostridioses em revendas agropecuárias de Mato Grosso do Sul e de outros estados do país.
A preocupação do parlamentar ocorre após o próprio Ministério admitir oficialmente o desabastecimento dos imunizantes, considerados essenciais para prevenir doenças graves e de rápida evolução no rebanho bovino.
Segundo informações do Mapa, a escassez teria sido provocada pela interrupção da produção e comercialização das vacinas por fabricantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026. Apesar disso, o Ministério informou ter liberado mais de 14,6 milhões de doses entre março e abril deste ano, somando produtos nacionais e importados.
O órgão também citou previsão do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), indicando a entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses mensais até dezembro.
Mesmo diante dos números apresentados, produtores rurais seguem relatando dificuldades para encontrar os imunizantes nas prateleiras. Diante disso, Nelsinho Trad questionou o destino das doses anunciadas pelo governo federal.
“Se o Ministério fala em milhões de doses liberadas e a indústria fala em milhões de doses por mês, por que o produtor não encontra a vacina na prateleira? Onde está esse produto? Quem está segurando? Quando chega ao campo?”, questionou o senador.
O parlamentar informou que irá encaminhar um ofício ao Ministério da Agricultura solicitando informações detalhadas sobre o estoque disponível no país, o volume efetivamente liberado para venda, as empresas notificadas, além do cronograma de normalização do abastecimento.
Nelsinho também quer esclarecimentos sobre a possibilidade de doses estarem retidas nas indústrias enquanto produtores seguem sem acesso às vacinas.
“Vacina em depósito não salva rebanho. Se existe dose liberada, ela precisa chegar ao produtor. O pecuarista não pode pagar a conta de uma falha de mercado, de distribuição ou de fiscalização”, afirmou.
A situação preocupa especialmente Mato Grosso do Sul, um dos maiores estados pecuaristas do Brasil, onde a vacinação é considerada fundamental para evitar prejuízos econômicos e mortes no rebanho.
“O produtor rural não está pedindo favor. Ele quer comprar a vacina para proteger o rebanho. Se há estoque, tem que chegar à loja. Se não há, o país precisa saber por quê. O que não dá é deixar o campo sem resposta”, completou o senador.
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