O primeiro relatório apresentado pela junta interventora da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus acendeu um sinal de alerta sobre a situação financeira do transporte coletivo da Capital. Diante do diagnóstico preliminar, o vereador Dr. Lívio demonstrou preocupação com a continuidade da prestação do serviço e defendeu medidas urgentes para evitar prejuízos à população.
Em entrevista concedida à Rádio Hora nesta terça-feira (8), o parlamentar afirmou que os dados iniciais revelam um cenário preocupante. Segundo ele, em apenas 15 dias de trabalho, a equipe responsável pela intervenção identificou um déficit superior a R$ 20 milhões.
Para Dr. Lívio, a principal prioridade deve ser assegurar que o sistema continue funcionando normalmente, sem interrupções para os usuários.
“A maior preocupação é que o transporte não pare. A Prefeitura assumiu a operação, os ônibus e toda a gestão do sistema. Quando um relatório inicial já aponta um rombo superior a R$ 20 milhões, isso naturalmente acende um sinal de alerta para a continuidade do serviço”, afirmou.
Presidente da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito da Câmara Municipal e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, o vereador lembrou que a própria CPI já havia apontado a gravidade da situação financeira enfrentada pelo Consórcio Guaicurus e discutido, ainda durante os trabalhos, a possibilidade de intervenção no sistema.
Na avaliação do parlamentar, a junta interventora precisa apresentar respostas antes do prazo final previsto para dezembro. Segundo ele, a população não pode esperar meses por uma definição sobre o futuro do transporte coletivo.
“Nós pedimos agilidade. O relatório intermediário precisa trazer uma definição clara sobre os próximos passos, seja a continuidade, uma nova licitação ou até mesmo a ruptura do contrato. O que não podemos é esperar até dezembro enquanto o sistema corre o risco de entrar em colapso.”
Frota antiga preocupa
Outro ponto destacado por Dr. Lívio é a renovação da frota de ônibus, considerada por ele uma medida inadiável. O vereador recordou que a CPI identificou inicialmente 197 veículos que já deveriam ter sido substituídos, mas afirma que o acompanhamento realizado pela Comissão de Transporte indica que esse número atualmente supera 230 ônibus.
“O que nós não vamos aceitar é que a população continue sendo transportada em ônibus sucateados. A troca de pelo menos os 197 veículos apontados pela CPI é uma exigência mínima. Hoje, inclusive, já entendemos que esse número é ainda maior. A segurança e a dignidade do usuário precisam estar acima de qualquer discussão financeira.”
Sem aumento da tarifa
O vereador também defendeu que a recuperação financeira do sistema não resulte em aumento da passagem para os usuários. Segundo ele, eventuais investimentos adicionais podem ser feitos por meio da tarifa técnica, custeada pelo poder público, sem repassar o custo ao passageiro.
“Não aceitaremos aumento da tarifa para a população. O cidadão já enfrenta diariamente ônibus antigos, constantes problemas mecânicos e um serviço que precisa melhorar muito. Fazer o usuário pagar mais por isso seria um absurdo.”
Por fim, Dr. Lívio afirmou que a solução para a crise do transporte coletivo exige participação conjunta da Prefeitura e do Governo do Estado. Para ele, além de garantir a continuidade da operação, os entes públicos devem buscar alternativas de financiamento e investimentos capazes de viabilizar a renovação da frota e melhorar a qualidade do serviço oferecido à população.








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