“A blindagem da investigação por parte dos governistas atrapalhou e muito a CPMI, mas, graças à Comissão, 14 acusados estão presos, há foragidos e pedidos de sigilos e outras apurações que precisam de respostas”, avaliou Tereza Cristina
A CPMI do INSS poderá ser prorrogada. A informação foi dada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira, 23/03.
O anúncio foi feito após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinar a prorrogação dos trabalhos, atendendo a pedido da comissão parlamentar mista de inquérito. A decisão de Mendonça terá de ser confirmada pela maioria do plenário do STF na próxima quinta-feira, 26/03.
Viana sinalizou mais 60 dias de funcionamento, mas disse que a prorrogação pode chegar a 120 dias — conforme já pede o requerimento da CPMI — se surgirem fatos novos.
O senador havia declarado antes que, se não houver prorrogação do funcionamento da Comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) entregará seu relatório da forma como se encontra. O prazo final do colegiado é 28 de março.
“A blindagem da investigação por parte dos governistas atrapalhou e muito a CPMI, mas, graças à Comissão, 14 acusados estão presos, há foragidos, pedidos de quebra de sigilo e outras apurações que precisam de respostas”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPMI do INSS.
O presidente da CPMI destacou também que a Comissão espera resposta do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o número de celular, pertencente ao STF, que manteve contato com o dono do Master, Daniel Vorcaro, inclusive no dia de sua primeira prisão.
“Um dos números citados na quebra de sigilo de Vorcaro pertence ao STF”, afirmou Viana, segundo informações oficiais recebidas de telefônicas. Viana acrescentou, entretanto, que ainda não é possível saber quem estava usando o número no dia da comunicação. A comissão encaminhou ofício ao tribunal pedindo que identifique o usuário do número.
A CPMI convocou ainda a influenciadora digital Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro, para ser ouvida nesta segunda-feira, 23/03. Ela, que mora em Miami e não apareceu para depor, falaria como testemunha e seria questionada sobre a identidade de pessoas “presentes no ambiente privado” do banqueiro e o contexto dessas interações.
O presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), Rodrigo Assumpção, também foi convocado, mas alegou problema de saúde para não comparecer. A sessão desta segunda, 23/03, acabou sendo suspensa, mais uma vez.
A Comissão apura “falhas de governança e vulnerabilidades” que afetaram o funcionamento do INSS e podem ter favorecido fraudadores. A CPMI também questionou a segurança cibernética da Dataprev, que gerencia dados de inscritos no INSS e em políticas sociais federais.
Na reta final, a CPMI do INSS aprovou também convite para ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu antecessor Roberto Campos Neto. Eles não são obrigados a comparecer.
Os senadores e deputados pretendem investigar ainda a concessão de créditos consignados concedidos por instituições financeiras, inclusive o Banco Master, a aposentados e pensionistas. Durante as investigações da CPMI, parlamentares citaram irregularidades como falta de assinaturas digitais, empréstimos a crianças e a pessoas que já morreram, além de cobranças abusivas de juros.
Com informações da Agência Senado
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