

Durante entrevista ao programa Papo Reto, apresentado pelo jornalista Joel Silva, o professor doutor Márcio de Araújo Pereira compartilhou reflexões sobre a relação entre o ser humano e a natureza pantaneira, destacando o papel educativo e transformador do Bioparque do Pantanal.
Segundo ele, muitas vezes a população convive com riquezas naturais extraordinárias sem perceber sua verdadeira importância. O professor relatou que, em uma visita guiada, ouviu de um biólogo explicações sobre espécies presentes no local — como o tatu-canastra — e percebeu como detalhes valiosos passam despercebidos no cotidiano.
“O tamanho daquilo impressiona, mas às vezes a gente passa e nem observa. Precisamos aprender a valorizar o que está diante de nós”, destacou.
O privilégio de viver no Pantanal
Márcio de Araújo Pereira lembrou ainda sua experiência pessoal vivendo por seis anos no Pantanal, período que, segundo ele, proporcionou uma conexão profunda com o bioma.
Para o pesquisador, o Pantanal deve ser compreendido como um organismo vivo, que acolhe quem vive nele. “Qualquer agressão ao Pantanal é também uma agressão a nós mesmos”, afirmou, reforçando a necessidade de consciência ambiental e preservação.
Ele também chamou atenção para situações comuns do dia a dia que deveriam ser motivo de orgulho, como acordar com o som de araras e tucanos — algo que, segundo ele, muitas pessoas acabam encarando como incômodo, quando na verdade representa um privilégio raro.
Uma lição dentro do aquário
Um dos exemplos mais marcantes citados pelo professor foi a observação do comportamento de peixes predadores dentro do Bioparque. Em um dos tanques, piranhas e dourados — espécies conhecidas pela agressividade — convivem no mesmo ambiente sem conflito direto.
De acordo com ele, o equilíbrio acontece porque cada espécie ocupa seu espaço natural: as piranhas nadam nas partes superiores do aquário, enquanto os dourados permanecem em níveis mais baixos, mantendo uma espécie de “faixa de convivência”.
A observação, segundo o pesquisador, traz uma metáfora importante sobre respeito aos limites e coexistência harmoniosa, mostrando que até predadores conseguem compartilhar o mesmo ambiente quando há equilíbrio ecológico.
Ciência, educação e consciência
O relato reforça o papel do Bioparque do Pantanal não apenas como atração turística, mas como espaço de educação ambiental e reflexão sobre a relação humana com a natureza.
Para Márcio de Araújo Pereira, compreender o Pantanal e suas dinâmicas é essencial para garantir o futuro do bioma e fortalecer a identidade sul-mato-grossense, baseada na convivência respeitosa com um dos ecossistemas mais ricos do planeta.









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