Mudança na comunicação das novas gerações desafia universidades e modelos de ensino, avalia professor Márcio de Araújo Pereira

por | fev 18, 2026 | Ciência e tecnologia, Destaques, informes, NOTÍCIAS

A forma como jovens se comunicam atualmente revela uma transformação profunda que já impacta diretamente a educação e o mercado de trabalho. A avaliação foi feita pelo professor doutor Márcio de Araújo Pereira, durante entrevista ao programa Papo Reto, apresentado pelo jornalista Joel Silva.

Segundo o pesquisador, as novas gerações estão desenvolvendo uma comunicação cada vez mais rápida, direta e resumida, reflexo do ambiente digital em que cresceram.

Comunicação mais curta e imediata

Durante a entrevista, o professor citou exemplos do cotidiano para ilustrar essa mudança. Ele relatou que jovens já utilizam abreviações extremas nas conversas digitais, substituindo palavras inteiras por letras ou siglas.

“Meu filho, por exemplo, manda mensagem usando apenas ‘N’ para não, ‘S’ para sim, ou abreviações como ‘VWM’ para dizer valeu. É uma comunicação muito mais curta e direta”, explicou.

Para ele, essa nova linguagem demonstra como o comportamento social está sendo moldado pela velocidade das plataformas digitais e pelo consumo rápido de informação.

Gerações diferentes, aprendizados diferentes

Márcio de Araújo Pereira destacou que o desafio educacional aumenta porque diferentes gerações convivem simultaneamente. Ele citou a geração X — que acompanhou o surgimento da internet, dos celulares e das redes sociais — e as gerações mais novas, como Z, Alpha e as futuras Beta, já totalmente digitais.

“Nós, da geração X, vimos tudo nascer: a chegada da internet, o fim de tecnologias antigas, o surgimento das redes sociais, do streaming e das novas formas de consumo. Já os mais jovens nasceram dentro desse ambiente”, afirmou.

Universidades precisam se adaptar

De acordo com o professor, esse novo perfil exige mudanças urgentes nos modelos educacionais, principalmente no ensino superior. Ele defende metodologias mais dinâmicas, com conteúdos adaptados ao ritmo de aprendizagem dessa geração.

“As universidades precisam transformar seus modelos para dialogar com essa realidade. O formato tradicional já não atende totalmente essa nova forma de aprender e se comunicar”, destacou.

Transformação contínua da sociedade

O especialista também observou que a sociedade vive ciclos rápidos de mudança tecnológica — como o fim do vinil, sua volta como produto cultural e a constante evolução dos meios de consumo de conteúdo — mostrando que adaptação permanente será uma característica essencial das próximas décadas.

A entrevista no Papo Reto reforçou que compreender as novas gerações não é apenas uma questão cultural, mas estratégica para preparar educação, mercado de trabalho e políticas públicas para o futuro que já está em construção.

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