Rota Bioceânica pode transformar economia regional e exige preparação das cidades, avalia professor doutor Márcio de Araújo Pereira no Papo Reto

por | fev 18, 2026 | Ciência e tecnologia, Destaques, informes, NOTÍCIAS

Durante entrevista ao programa Papo Reto, apresentado pelo jornalista Joel Silva, o professor doutor Márcio de Araújo Pereira, uma das principais referências em Mato Grosso do Sul nas áreas de desenvolvimento rural, ciência e tecnologia, explicou os impactos e as oportunidades que a chamada Rota Bioceânica pode trazer para o Estado e para os municípios.

O tema, cada vez mais presente no debate público, ainda gera dúvidas entre a população e gestores municipais. Segundo o professor, muitas pessoas enxergam a rota apenas como uma estrada, quando, na prática, ela representa algo muito maior.

“Rotas são interessantes porque não são apenas vias de passagem. A gente pensa que é só uma estrada, mas é muito mais do que isso. São caminhos já estruturados para o desenvolvimento econômico”, destacou.

Muito além de um corredor de passagem

Durante a conversa, Joel Silva levantou uma das principais preocupações da população: o que, de fato, muda para quem vive nas cidades por onde o projeto deve passar. A rota vai apenas cortar municípios ou pode gerar benefícios concretos?

Para Márcio de Araújo Pereira, o impacto dependerá diretamente do nível de planejamento local.

Ele explicou que a rota pode abrir espaço para novos investimentos, logística, comércio internacional, turismo e instalação de empresas, mas alertou que os municípios precisam se preparar antecipadamente.

“Se não houver planejamento, a rota pode passar e a cidade continuar apenas olhando o movimento. Agora, se houver organização, qualificação e estratégia, ela pode atrair negócios, gerar empregos e transformar a economia local”, afirmou.

Desafios e preocupações da população

O professor também comentou sobre resistências naturais observadas em regiões por onde grandes projetos passam, especialmente em áreas mais tranquilas.

Segundo ele, questionamentos como “o que isso vai mudar na minha vida?” são comuns e legítimos.

“No Paraguai, por exemplo, houve essa preocupação: pessoas perguntando por que uma estrada deveria passar ali e alterar a rotina local. Isso é natural. O desenvolvimento precisa dialogar com a comunidade para que os benefícios superem os impactos”, explicou.

Papel do Estado e dos prefeitos

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de alinhamento entre Governo do Estado, prefeitos e setores produtivos. Para o especialista, a preparação das cidades é decisiva para evitar problemas futuros.

Ele defende investimentos em planejamento urbano, capacitação profissional, logística e atração empresarial antes mesmo da conclusão total da rota.

“A rota cria oportunidades, mas elas não acontecem automaticamente. É preciso estratégia para transformar passagem em permanência econômica”, ressaltou.

Oportunidade histórica

Encerrando a entrevista, o professor destacou que Mato Grosso do Sul ocupa uma posição geográfica estratégica no cenário sul-americano e pode se consolidar como eixo logístico entre o Atlântico e o Pacífico.

A avaliação é de que a Rota Bioceânica representa uma oportunidade histórica de integração econômica internacional — desde que o crescimento seja acompanhado por planejamento e visão de futuro.

A entrevista completa foi ao ar no programa Papo Reto, reforçando o debate sobre um dos projetos estruturantes mais importantes para o desenvolvimento regional nas próximas décadas.

0 comentários