A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), a Operação Efeito Helicóptero 2, segunda fase da ofensiva nacional que mira uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em várias regiões do Brasil. A ação é coordenada pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio integrado de unidades de inteligência e forças policiais de seis estados, incluindo o Mato Grosso do Sul.
O nome da operação faz referência a um termo usado na Espanha para classificar esquemas avançados de lavagem de dinheiro — quando o fluxo financeiro se torna tão pulverizado e complexo que “desaparece da vista” dos investigadores. Esta segunda etapa aprofunda a investigação iniciada em 2022 e avança na identificação de fornecedores de droga e novos braços da organização.
Ao todo, estão sendo cumpridos 29 mandados de prisão, 25 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de bloqueio de bens, imóveis e ativos financeiros determinados pela 5ª Vara Criminal de Recife.
A operação mobiliza 100 policiais civis de Pernambuco, além de equipes especializadas do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso do Sul.
Atuação do DRACCO em MS: mandados em Campo Grande, Corumbá e Mundo Novo
No Mato Grosso do Sul, a execução foi coordenada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), que atuou em conjunto com equipes da Polícia Civil de Mundo Novo.
Foram cumpridos:
- 01 mandado de prisão temporária e busca e apreensão no Presídio Federal de Campo Grande;
- 02 mandados de prisão e 02 buscas e apreensões em Corumbá;
- 01 mandado de prisão temporária e busca e apreensão em Mundo Novo.
A operação integra o cronograma da 3ª OPERAÇÃO RENORCRIM, uma ação nacional articulada pela Rede Nacional de Unidades Especializadas no Enfrentamento às Organizações Criminosas, em cooperação com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e a Diretoria Integrada de Operações e Inteligência (DIOPI).





Delegada Medina destaca avanço estratégico da investigação
A delegada Ana Cláudia Medina, que comandou a atuação do DRACCO/MS nesta fase da operação, ressaltou que a ofensiva representa “um avanço decisivo contra o núcleo financeiro da organização criminosa”.
“Esta etapa foi fundamental porque atingimos a estrutura patrimonial e logística da facção. Quando você estrangula o fluxo de dinheiro, enfraquece não apenas o tráfico, mas toda a capacidade operacional do grupo. O Mato Grosso do Sul faz parte de uma rota estratégica do crime, e nossa participação mostra o compromisso do Estado em enfrentar essas organizações com inteligência e integração.” — destacou Medina.
Ela reforça que a cooperação entre os estados tem sido determinante:
“As operações nacionais mostram que o crime se articula em rede — e nós também. Esse trabalho conjunto dá resultado e produz impacto real.”
Operação de caráter nacional
A Efeito Helicóptero 2 é considerada uma das maiores ações articuladas pela Polícia Civil neste ano dentro do Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (ENFOC/MJSP). A investigação conta ainda com o suporte técnico do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB/LD), da Diretoria de Inteligência da PCPE (DINTEL) e do CORE/PE, além do apoio das secretarias penitenciárias.
A expectativa é que novos desdobramentos sejam divulgados em breve pela Polícia Civil de Pernambuco.
O impacto da operação
Segundo avaliação das equipes de inteligência, o bloqueio de ativos, o sequestro de bens e a prisão de operadores do esquema financeiro devem gerar um prejuízo imediato à organização criminosa e podem resultar no enfraquecimento de redes de fornecimento em vários estados.
Para o Mato Grosso do Sul, estado historicamente afetado por rotas de tráfico, a ação representa mais um golpe estratégico contra grupos que atuam na fronteira e abastecem organizações em outros centros do país.









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