A escalada dos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul foi um dos principais temas da entrevista concedida nesta sexta-feira (31) pela ex-deputada federal e pré-candidata à Câmara dos Deputados, Rose Modesto, ao programa 96 News, da Antena 1 Campo Grande FM 96,7.
Durante a conversa com os jornalistas Joel Silva e Stephanie Brittes, Rose demonstrou preocupação com o cenário da violência contra a mulher no Estado, que nesta semana contabilizou o 17º feminicídio de 2026. Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com as maiores taxas desse tipo de crime no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado recentemente.
Ao comentar os números, Rose afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa permanecer como prioridade nas políticas públicas.
“O feminicídio não é uma estatística. Cada caso representa uma família destruída, filhos sem mãe e uma violência que poderia ter sido evitada. Esses números mostram que não podemos recuar um único passo nessa luta”, afirmou durante a entrevista.
A ex-parlamentar relembrou sua atuação na Câmara dos Deputados, quando apresentou, em 2019, o Projeto de Lei nº 1.568/2019, propondo o aumento da pena mínima para o crime de feminicídio de 12 para 15 anos de prisão, além do endurecimento das punições aos autores desse tipo de crime.
As mudanças acabaram sendo incorporadas à legislação brasileira em 2024, reforçando o combate ao feminicídio. Para Rose, entretanto, apenas o aumento das penas não resolve o problema.
Segundo ela, é indispensável fortalecer a rede de proteção às mulheres, ampliar a estrutura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, garantir agilidade na concessão de medidas protetivas e investir em ações educativas capazes de romper o ciclo da violência.
“Mudar a lei é importante, mas salvar vidas exige uma atuação integrada. Precisamos de um Estado presente, de uma rede de proteção funcionando e de uma sociedade que não naturalize nenhum tipo de violência contra a mulher”, destacou.
Rose também ressaltou que os dados nacionais reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre o tema. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registrou recorde de feminicídios, com 1.571 mulheres assassinadas em razão do gênero, média de quatro vítimas por dia.
Encerrando a entrevista, a pré-candidata fez um apelo para que a sociedade não trate os números apenas como estatísticas.
“Enquanto existir uma mulher vivendo com medo, nossa luta não vai parar. Por trás de cada número existe uma história interrompida, uma família destruída. Precisamos denunciar, acolher, proteger e agir antes que seja tarde.”
O programa 96 News vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 7 horas, pela Antena 1 Campo Grande FM 96,7, com transmissão simultânea pelo YouTube e pelas plataformas digitais da emissora, levando aos ouvintes entrevistas e debates sobre os principais temas da atualidade em Mato Grosso do Sul.







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