EDITORIAL – Quem vai sobrar?

por | mar 2, 2026 | Destaques, Editorial, informes, NOTÍCIAS, OPINIÃO/ARTIGO

A política sul-mato-grossense já ensinou uma lição que ninguém deveria esquecer.

Em 2018, o então senador Waldemir Moka disputava a reeleição ao Senado.

Naquele momento, 61 dos 79 prefeitos do Estado declararam apoio formal à sua candidatura.
Carta pública.
Manifestação coletiva.
Reconhecimento por mais de R$ 550 milhões em emendas destinadas aos municípios.
Relatoria-geral do Orçamento da União de 2019.

No papel, favoritismo consolidado.

Mas a urna contou outra história.

A maioria institucional não se traduziu em maioria popular.

E essa lembrança é fundamental quando olhamos o cenário que começa a se desenhar agora.

Teremos duas vagas ao Senado.

Mas o que se apresenta no campo da direita são três nomes competitivos.

O ex-governador Reinaldo Azambuja chegou como favorito natural. Estrutura, experiência, articulação, base construída ao longo de anos.

Mas nunca foi unanimidade dentro da direita mais ideológica.
Sempre houve resistência.

E justamente por isso houve a migração para o Partido Liberal — numa tentativa clara de aproximar-se do eleitorado bolsonarista.

Só que o cenário mudou.

O presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, já declarou compromisso com Capitão Contar.

E agora surge o bilhete do ex-presidente Jair Bolsonaro recolocando Marcos Pollon oficialmente no jogo.

São dois nomes que foram campeões de voto.
Dois nomes que falam diretamente com a base mais fiel da direita.

E aqui está o ponto central:

São três candidatos fortes disputando duas vagas.

Matematicamente, alguém vai sobrar.

Reinaldo não tem a simpatia automática do eleitorado bolsonarista raiz.
Contar e Pollon dialogam diretamente com esse público.

E a direita já mostrou, em 2022, que não funciona no automático.

Naquela eleição, Eduardo Riedel declarou alinhamento ao bolsonarismo, mas em debate nacional o próprio Bolsonaro declarou apoio a Contar.

Houve ruído.
Houve divisão.
Houve tensão.

Se o roteiro se repetir, a fragmentação pode redesenhar completamente o cenário.

A eleição de 2018 mostrou que apoio de prefeitos não garante vitória.
A eleição de 2022 mostrou que apoio nacional pode mudar discurso da noite para o dia.

Agora a matemática é simples e implacável:

Três para duas vagas.

A questão não é quem é favorito hoje.

A questão é quem terá voto suficiente quando a direita tiver que escolher entre si.

Porque quando o eleitor bolsonarista tiver dois nomes orgânicos diante de si… alguém ficará pelo caminho.

E Mato Grosso do Sul já provou que favoritismo não é seguro.
É confortável.

Mas nunca é garantia.

E na política, conforto excessivo costuma anteceder surpresa.

Joel Silva é jornalista de formação e com pós-graduação em Marketing Político.

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