Durante entrevista ao programa Papo Reto, apresentado pelo jornalista Joel Silva, o professor doutor Márcio de Araújo Pereira, uma das principais referências em Mato Grosso do Sul nas áreas de desenvolvimento rural, ciência e tecnologia, destacou que o Estado vive um momento único de transformação econômica — mas que o maior desafio ainda é a qualificação de pessoas.
Segundo ele, grandes projetos estruturantes, como a Rota Bioceânica e a expansão do chamado Vale da Celulose, estão acontecendo simultaneamente e devem provocar mudanças profundas na dinâmica regional.
Surgimento de hubs logísticos
O professor explicou que regiões estratégicas tendem a se transformar em verdadeiros hubs logísticos, concentrando transporte de mercadorias, serviços e circulação de pessoas.
“Quando você cria um hub logístico, não é só estrada. Surge a necessidade de hotéis, restaurantes, serviços e profissionais capacitados para atender essa nova demanda”, afirmou.
Ele ressaltou que o impacto vai além da infraestrutura tradicional. A nova economia exige também tecnologia e inovação ao longo desses corredores de desenvolvimento.
“Junto com a logística vêm softwares, data centers e soluções tecnológicas que precisam estar posicionadas nesse caminho”, destacou.
Crescimento simultâneo pressiona mercado de trabalho
Márcio de Araújo Pereira chamou atenção para o fato de Mato Grosso do Sul viver dois grandes movimentos ao mesmo tempo: a consolidação da rota internacional e o avanço da indústria de celulose, especialmente em cidades como Três Lagoas, já consolidada no setor, e Inocência, que recebe novos investimentos industriais de grande porte.
Esse crescimento simultâneo aumenta a demanda por trabalhadores especializados em diversas áreas.
“Precisamos de gente qualificada. Não apenas localmente, mas profissionais que vêm de várias partes do Brasil e até do mundo. Esse impacto já aconteceu em Três Lagoas e tende a se ampliar”, explicou.
Déficit histórico de qualificação
O especialista alertou que a falta de mão de obra qualificada é um problema crônico e pode se tornar o principal gargalo para o desenvolvimento regional caso não haja planejamento educacional e profissional.
Para ele, o momento exige acelerar políticas de formação técnica, ensino profissionalizante e capacitação contínua.
“O que já era necessário agora precisa ser intensificado. A qualificação precisa acontecer em ritmo muito mais rápido para acompanhar essa transformação econômica”, afirmou.
Oportunidade histórica para o Estado
Apesar dos desafios, o professor avalia que Mato Grosso do Sul tem diante de si uma oportunidade histórica de crescimento, integração internacional e diversificação econômica.
A entrevista reforçou que o sucesso desse novo ciclo dependerá menos das obras físicas e mais da capacidade de preparar pessoas para ocupar os empregos que estão surgindo.
“O desenvolvimento chega, mas quem define se ele ficará no Estado é a preparação da nossa gente”, concluiu.









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