Modelo tradicional de ensino precisa se reinventar diante da urgência do mundo digital, afirma professor Márcio de Araújo Pereira

por | fev 18, 2026 | Ciência e tecnologia, Destaques, informes, NOTÍCIAS

Durante entrevista ao programa Papo Reto, apresentado pelo jornalista Joel Silva, o professor doutor Márcio de Araújo Pereira destacou que a velocidade das transformações tecnológicas e comportamentais está pressionando universidades e instituições de ensino a repensarem seus modelos de formação.

Segundo o especialista, a sociedade mudou rapidamente — e a educação precisa acompanhar esse novo ritmo.

Um mundo mais rápido e impaciente

Durante a entrevista, o professor utilizou exemplos do cotidiano para ilustrar a mudança no comportamento das pessoas. Ele explicou que até o consumo de entretenimento revela como o tempo de atenção diminuiu.

“Hoje você não consegue mais ouvir uma música de três ou quatro minutos como antes. As músicas estão mais curtas, as novelas são produzidas para celular, e muita gente nem assiste mais televisão como conhecíamos. Tudo virou aplicativo dentro da Smart TV”, observou.

Para ele, essa transformação impacta diretamente a forma como as novas gerações aprendem e se relacionam com o conhecimento.

Academia continua essencial, mas precisa evoluir

Márcio de Araújo Pereira ressaltou que o ensino superior continua sendo fundamental, especialmente na formação ética, social e científica dos profissionais. No entanto, ele avalia que os currículos precisam se adaptar a uma realidade mais dinâmica.

“A academia é necessária, ensina convivência, ética e pensamento crítico. Mas existe uma urgência maior hoje. Os currículos vão precisar se transformar continuamente”, afirmou.

Ensino modular e formação mais rápida

Uma das soluções apontadas pelo professor é a criação de modelos educacionais modulares, permitindo que o estudante adquira competências específicas em períodos mais curtos, sem precisar esperar anos para entrar no mercado de trabalho.

A proposta é oferecer formações de aproximadamente seis meses, capazes de preparar o aluno para funções práticas enquanto ele continua evoluindo academicamente.

“Não significa abandonar a formação completa, mas criar módulos que já coloquem essa pessoa no mercado. Um jovem que sai do nono ano, por exemplo, não pode esperar tanto tempo para começar a trabalhar”, explicou.

Ele citou áreas tecnológicas como exemplo, onde jovens podem ser preparados rapidamente para atuar como desenvolvedores ou em funções digitais específicas.

Educação contínua será o novo normal

O professor concluiu afirmando que o futuro da educação será baseado em aprendizagem permanente, com atualização constante ao longo da vida profissional.

Para ele, a transformação educacional não é mais uma tendência distante, mas uma necessidade imediata diante das mudanças sociais, tecnológicas e econômicas.

A entrevista no Papo Reto reforçou o debate sobre como Mato Grosso do Sul e o Brasil precisam adaptar seus sistemas educacionais para formar profissionais mais rapidamente, sem abrir mão da qualidade e da formação humana.

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