A sinalização da prefeita Adriane Lopes de promover a atualização da base de cálculo do IPTU, após a recente elevação da taxa do lixo, coloca a gestão municipal em uma zona de risco político que vai muito além do debate técnico sobre arrecadação. Trata-se de uma decisão com potencial de alto custo eleitoral, tanto no curto quanto no médio prazo.
Na prática, o eleitor costuma reagir menos ao discurso de “correção de distorções” e mais ao impacto direto no orçamento doméstico. A combinação de dois aumentos tributários consecutivos cria a percepção de que a conta está sendo transferida para a população em um momento em que problemas crônicos da cidade — como saúde pública, infraestrutura básica e mobilidade urbana — continuam sem respostas à altura.
Do ponto de vista de 2026, ano de eleições gerais, o desgaste pode não atingir diretamente a prefeita nas urnas, mas tende a contaminar o ambiente político da Capital. Campo Grande é vitrine eleitoral em Mato Grosso do Sul, e um eleitorado insatisfeito costuma penalizar aliados, candidatos apoiados pela gestão e projetos políticos associados ao Executivo municipal. Em outras palavras, a insatisfação fiscal vira munição eleitoral.
Já em 2028, o impacto tende a ser ainda mais sensível. A atualização do IPTU costuma deixar uma memória negativa duradoura no eleitorado, especialmente quando os reajustes são percebidos como abruptos ou desproporcionais. Mesmo que o aumento só se concretize em 2027, o tema certamente será explorado à exaustão por adversários na disputa municipal seguinte, seja contra a própria Adriane, seja contra um candidato apadrinhado por ela.
Outro ponto crítico é a relação com a Câmara Municipal. Vereadores, sobretudo os que disputarão reeleição, tendem a evitar pautas impopulares. Isso pode provocar rachaduras na base aliada, dificultando a aprovação de projetos e ampliando o espaço para discursos oposicionistas que associem a gestão a aumento de impostos sem contrapartida visível.
Politicamente, a estratégia exigiria uma engenharia fina: isenções bem delimitadas, escalonamento real dos reajustes, ampla comunicação com a população e, principalmente, entregas concretas que justifiquem a arrecadação maior. Sem isso, a narrativa dominante tende a ser simples e poderosa: a de que a Prefeitura cobra mais, mas entrega pouco.
Em síntese, a alta de tributos pode até ser defensável do ponto de vista fiscal, mas, no campo político, representa um divisor de águas. Se mal conduzida, a política tributária da gestão Adriane Lopes corre o risco de se transformar em um dos principais passivos eleitorais da Capital nos ciclos de 2026 e 2028.






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