Deputada Gleice Jane registra boletim após ameaça de morte no celular e reacende debate sobre violência política de gênero em MS

por | dez 8, 2025 | Assembleia, Destaques, NOTÍCIAS, Previsão do Tempo

Parlamentar recebeu mensagem com ofensas e ameaça direta; caso será investigado pela Polícia Civil. Episódio destaca avanço da violência política contra mulheres no Brasil.

A deputada estadual Gleice Jane (PT-MS) registrou um boletim de ocorrência após receber, no último fim de semana, uma ameaça de morte por meio de mensagens enviadas ao seu WhatsApp pessoal. O conteúdo, além de xingamentos de cunho misógino, incluía a frase “você vai morrer”, o que levou a parlamentar a procurar imediatamente a Polícia Civil.

Segundo a deputada, a mensagem também trazia links vinculados a perfis políticos de oposição e questionamentos agressivos à sua atuação na Assembleia Legislativa. A atitude, que mesclou ataques machistas a motivações ideológicas, foi classificada por Gleice Jane como um claro caso de violência política de gênero, crime previsto na Lei 14.192/2021.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a parlamentar afirmou que não irá se calar diante das intimidações e orientou outras mulheres vítimas de violência política a registrarem boletins de ocorrência. “Não é só sobre mim. É sobre todas nós que ocupamos um espaço que historicamente nos foi negado”, declarou.

A Polícia Civil deve instaurar inquérito para investigar a autoria das mensagens e avaliar a necessidade de medidas protetivas. Parlamentares, lideranças políticas e entidades de defesa dos direitos das mulheres manifestaram solidariedade e cobraram responsabilização rápida dos envolvidos.

Violência política de gênero: problema crescente que afeta mulheres em todo o país

O caso de Gleice Jane não é isolado. Nos últimos anos, a violência política de gênero tem se tornado uma das principais barreiras para a permanência e ascensão de mulheres em cargos públicos. A prática engloba ameaças, intimidação, humilhação e tentativas de silenciamento direcionadas exclusivamente pelo fato de a vítima ser mulher e exercer atividade política.

A Lei 14.192/2021, que criminaliza esse tipo de agressão, prevê reclusão de 1 a 4 anos e multa para quem assediar, constranger ou ameaçar mulheres em campanhas ou mandatos. No entanto, especialistas alertam que a efetividade do combate ainda depende de investigação ágil, punição efetiva e políticas de proteção específicas.

Levantamentos de organizações de monitoramento apontam que mulheres negras, indígenas, trans e defensoras de pautas sociais são as mais afetadas, enfrentando ataques mais frequentes e violentos. Além disso, momentos de maior exposição pública — como votações decisivas e períodos eleitorais — costumam intensificar as agressões.

Em Mato Grosso do Sul, entidades que acompanham a participação feminina na política consideram o caso da deputada um alerta para a necessidade de reforçar protocolos de segurança e redes de apoio, especialmente em um cenário de maior polarização nacional.

Cultura da intimidação ameaça a democracia e afasta mulheres da vida pública

Para especialistas, episódios como o sofrido por Gleice Jane representam ameaça direta à democracia, pois tentam impedir que mulheres exerçam seus mandatos com liberdade e segurança. A intimidação — seja virtual ou presencial — não atinge apenas a vítima imediata, mas envia uma mensagem de dissuasão a todas que pretendem disputar ou ocupar cargos públicos.

A violência política de gênero produz um ciclo de desigualdade: quanto menos mulheres se sentem seguras, menos elas entram na política, e quanto menos mulheres estão representadas, mais a violência se naturaliza. Esse quadro reforça a necessidade de políticas de apoio, monitoramento e punição rigorosa a agressores.

Conclusão

O registro policial feito por Gleice Jane reacende um debate urgente no Estado e no país: a participação das mulheres na política ainda é marcada por riscos, hostilidades e tentativas de silenciamento. Ao denunciar as ameaças, a deputada transforma um episódio de violência em instrumento de conscientização e reforça a importância de uma rede de proteção robusta para garantir que nenhuma mulher seja impedida de exercer sua representatividade.

O caso agora segue para investigação, e a expectativa é que o responsável seja identificado e responsabilizado conforme a lei — um passo essencial para conter o avanço da violência política de gênero e preservar a integridade do processo democrático.

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