“Os lesados são idosos, agricultores familiares, indígenas, ribeirinhos, os mais vulneráveis, vítimas de um esquema bilionário. Na CPMI, vou até o fim para responsabilizar quem quer que seja”, disse a senadora.
A CPMI do INSS ouviu nesta segunda-feira, 29/09, o depoimento de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).Ao fim do depoimento, de madrugada, Lopes foi preso em flagrante, pagou fiança e saiu em liberdade. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL) disse que pedirá agora a prisão preventiva de Carlos Lopes.
Foi o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), quem determinou a prisão em flagrante. O senador alegou que Lopes mentiu ao colegiado, mesmo após ter se comprometido a falar a verdade. “Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados”, afirmou.
A Conafer, controlada pela família Lopes, está entre as entidades com maior volume de descontos nas mensalidades de aposentados, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Segundo o relator, “a Conafer arrecadou no INSS mais de R$ 800 milhões em cinco anos e parte considerável desse dinheiro, cerca de R$ 150 milhões, foi direcionado a Cícero Marcelino, que era seu sócio”. “Mais do que isso, há várias relações escusas a serem esclarecidas. A amostragem da CGU revelou que 100% dos aposentados supostamente associados à Conafer não reconheceram autorização para desconto associativo”, acrescentou Alfredo Gaspar.
“O depoente veio aqui para não se autoincriminar, mas os dados da CPMI são suficientes para mostrar que a Conafer meteu a mão grande no dinheiro dos aposentados e pensionistas”, concluiu o relator. Com ironia e respostas debochadas aos parlamentares, Carlos Lopes negou todas as denúncias e disse que “a Conafer faz um trabalho em prol dos brasileiros em mais de 2 mil municípios”.
Foi o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), quem determinou a prisão em flagrante. O senador alegou que Lopes mentiu ao colegiado, mesmo após ter se comprometido a falar a verdade. “Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados”, afirmou.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPI, destacou que Carlos Lopes, via Conafer, tentou assinar uma parceria com o Incra, em novembro de 2024, e também obteve nomeação, pelo Ministério da Agricultura, já no governo Lula, para o comitê gestor do Matopiba – nomeação essa ocorrida um dia antes da Operação Sem Desconto, da PF. “O depoente manteve-se em postos estratégicos do governo Lula mesmo depois das denúncias contra a Conafer”, explicou Tereza Cristina.
Tereza lembrou ainda que a Conafer seguiu cadastrando associados mesmo após ter sido determinado o o bloqueio dos descontos do INSS. “O que estamos revelando na CPMI do INSS é gravíssimo! Milhares de aposentados da zona rural — gente simples, que trabalhou a vida inteira no campo — foram roubados por descontos ilegais em seus benefícios”, reafirmou a senadora.
“Estamos falando de idosos, agricultores familiares, indígenas, ribeirinhos… exatamente os mais vulneráveis, vítimas de um esquema bilionário”, acrescentou Tereza Cristina. “Na CPMI, vou até o fim para responsabilizar quem quer que seja. Já fizemos 21 pedidos de prisão e vamos continuar até punir todos os responsáveis”, concluiu.
Depoimento adiado
O depoimento de Fernando Cavalcanti, inicialmente previsto para essa segunda-feira, foi adiado. Ele é apontado como ex-sócio do advogado Nelson Wilians Rodrigues, cuja prisão preventiva foi aprovada pela CPMI. Cavalcanti também teria ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes.
“Sua participação em estruturas societárias relacionadas a Nelson Wilians e sua proximidade com o ambiente empresarial de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, justificam sua convocação como testemunha, diante das investigações sobre as fraudes no INSS”, afirma o requerimento assinado por Alfredo Gaspar. O depoimento de Cavalcanti deverá ocorrer na próxima sessão da CPMI.
Com informações da Agência Senado








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