Entrevista com o delegado André Matsushita no programa A Banca

por | ago 8, 2025 | Destaques, Entrevista, informes, NOTÍCIAS

O programa “A Banca”, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana nesta sexta-feira (8) entrevistando o delegado de Polícia Civil André Matsushita, presidente da Adepol/MS (Associação dos Delegados de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), que falou sobre segurança pública, política institucional e os rumos da Justiça Criminal no Estado.

“A tecnologia hoje tomou conta da vida do ser humano e na Polícia Civil isso não foi diferente. Antes, todos os crimes eram presenciais e, hoje, nós temos aí uma grande quantidade de crimes virtuais, graças à popularização da Internet. Então, é claro que aqui no Estado, a Polícia teve que se adaptar a isso”, destacou, completando que, para fazer frente à criminalidade atual, a Polícia Civil teve que se modernizar também.

Ele recordou que, quando chegou a Mato Grosso do Sul vindo de São Paulo, no ano 2000, cada delegacia de Polícia Civil tinha o seu boletim de ocorrência. “Então, para consolidar um dado, tinha de fazer leitura de um por um, em cada delegacia de Campo Grande, depois precisava fazer o mesmo em cada delegacia do Estado. Hoje não, temos um sistema que faz a pesquisa em todas elas e em alguns segundos, obtendo o dado que você demoraria três, quatro, cinco dias para conseguir”, celebrou.

André Matsushita completou que atualmente pode se dizer que a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul tem um dos maiores índices de resolutividade de crimes de homicídio do Brasil. “Nós temos uma média de quase 80% de esclarecimentos de crimes de homicídio no Estado. Isso mostra que nós estamos no caminho certo, não só no aspecto da tecnologia, dos equipamentos, mas, principalmente, no aspecto do efetivo, dos policiais que trabalham e têm essa expertise”, assegurou.

O presidente da Adepol/MS ressaltou ainda que a atividade do policial sem dúvida nenhuma é a mais penosa que pode existir porque ninguém vai para uma delegacia para dizer que teve um dia bom. “Não, todo mundo vai lá com um problema e, muitas vezes, sério. Você imagina um policial que trabalha em uma delegacia de homicídios e passa anos vendo pessoas mortas, assassinadas, com tiros, esquartejadas e esfaqueadas. Ou um policial que trabalha há anos em uma delegacia de proteção da criança e adolescente e vê crianças vítimas de abuso, bebês vítimas de abuso, então, é claro que isso vai afetar o emocional do profissional”, alertou.

Por isso, de acordo com ele, a Adepol criou uma diretoria de apoio biopsicossocial para acolher o delegado de Polícia Civil associado para fazer esse serviço de acolhimento do policial. “Eu não sei se vocês viram ontem (7) o vídeo de um policial militar que foi baleado tentando prender um indivíduo que estava armado e já tinha várias passagens pela Polícia, mas, mesmo assim, a população ficou contra o PM, que estava sozinho. Imagina o policial quando sai de casa, ele pensa que isso pode acontecer com ele também, portanto, realmente é um grande problema e quem vai entrar na Polícia tem que saber que vai ter essa sua vida”, avisou.

O delegado também respondeu ao questionamento sobre o que ele mudaria no Código Penal do Brasil caso tivesse esse poder e a resposta foi o fim da saidinha temporária de detentos. “Isso é um câncer no Brasil! E se você falar isso em países sérios por aí, eles não vão acreditar que o sujeito cometeu um latrocínio ou um estupro tem direito a uma saidinha. Esse tipo de legislação só veio para trazer malefícios para sociedade, para mim, para você, para a sua filha, para o seu marido, para a sua mulher. Por quê? Porque nós vamos ficar refém desses caras, pois a maioria deles não volta. E, mesmo que volte, no tempo que estava na rua, cometeu crimes. Não tem condições de uma lei dessa existir”, lamentou.

Assista a entrevista completa pelo link:

por: Rede Top FM

 Joel Silva, Karine Cortez, Edir Viegas e o delegado de Polícia Civil André Matsushita, presidente da Adepol/MS

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