A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) foi a entrevistada desta quarta-feira (23) do programa “A Banca”, da Rede Top FM, e abordou a relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil e, obviamente, sobre a candidatura à reeleição no pleito do próximo ano em Mato Grosso do Sul.
“Olha, é importante destacar aqui que jamais eu não nego isso. Lógico que tem grande parte do Bolsonaro na minha eleição para o Senado, mas também tem uma pequena parte que naquele tempo não era ligada a ele, porém votou em mim. Acontece que hoje em dia eu digo o seguinte, que pra ser traído por Bolsonaro basta pegar a senha e entrar na fila”, disparou.
Ela completou que o ex-presidente sempre foi traidor. “Eu disse desde o começo, então nós chegamos aqui até o momento, até mesmo a nossa senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi traída por ele. Então, é impressionante a forma como ele age e ele me traiu na campanha de 2018. Eu precisei pedir socorro para o falecido Bebiano, que era uma pessoa muito consciente, muito correta, muito certa, que eu estava sendo traída aqui pelo partido, pelos parceiros e que tinha sido abandonada. Enfim, foi bem complicado”, recordou.
Soraya Thronicke lembrou que, naquela eleição, foi eleita por causa dele, mas apesar dele. “Porque ele me atrapalhou demais na campanha eleitoral. Sofri demais, então, me traíram mesmo, só a gente sabe dos bastidores. Desde 2013, quando eu conheci o Bolsonaro, nós começamos a trabalhar o nome dele e eu não poupei tempo, não poupei recurso para levar o nome dele no Estado quando ninguém o conhecia. Quando pessoas que hoje viraram bolsonaristas, assim, de carteirinha, me hostilizavam por ser bolsonarista naquele momento, entendeu? Eu fui até o fim”, garantiu.
Rompimento
A senadora revelou ainda que considerava o ex-presidente um tanto quanto abusado, mas relevava, afinal, ninguém é normal. “Eu entendi que naquele momento, eu pelo menos achei que ele fosse realmente honesto, pelo menos isso, e fosse romper com a corrupção. Porém, eles pregaram muita desinformação e, lá dentro dos grupos, eles pregavam que o golpe de 64 foi um contragolpe. Eles trabalhavam a cabeça das pessoas. São muito articulados nisso”, revelou.
A parlamentar pontuou que, como não é uma pessoa que aceita cabresto, rompeu com Bolsonaro. “Graças a Deus, sempre estudei, sempre me informei, sempre fui tirar as minhas conclusões e não fechar os olhos para acompanhar o líder de uma seita. Para mim, isso é uma seita, porque ali você não pode discutir. São seguidores, aquilo ali não é direita, não é nem extrema direita, porque eles não levam para frente os conceitos de direita”, afirmou.
Conforme a política, quando percebeu, pois estava dentro da cozinha do bolsonarismo e via os movimentos dentro do próprio PSL para dar um golpe no Luciano Bivar para tomar o partido, decidiu pular do barco. “O PSL foi o salva-vidas do Bolsonaro. Ele tentou vários partidos e perguntou um dia para o Bivar, que, se não der certo com ninguém, o PSL seria o seu paraquedas? E o Biva falou que sim. Então eles combinaram, Bivar entregou o partido com tudo e com a maior boa vontade do mundo. E, enfim, aí veio a rasteira. Eu estava lá, só que as pessoas querem acreditar apenas no que elas querem”, lamentou.
Tarifaço
Soraya Thronicke ainda analisou a situação atual com a ameaça de tarifaço por parte do governo dos Estados Unidos contra o Brasil e vê como um momento extremamente sério. “O Brasil nunca sofreu uma retaliação dessa forma, que eu acho que não é nenhum tarifaço, é um embargo mesmo. E, lamentavelmente, eu acredito que seja por desespero, pânico, o próprio Eduardo Bolsonaro é o culpado pelo pai estar usando tornozeleiras hoje”, afirmou.
Para ela, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também é o grande culpado por essa taxação que os Estados Unidos pretendem adotar contra o Brasil. “Eles não têm noção. E o pior é que, além de tudo, é que eles assumem, produzem provas. A maldade é burra, na verdade. Ele ainda se orgulha de fazer isso. Falou que isso aqui pode virar terra arrasada, mas ele tem que salvar o pai dele”, ressaltou.
A senadora acrescentou esperar que as pessoas consigam perceber a gravidade do que está acontecendo. “Eu ainda vejo pessoas sofrendo, não é só o agro que vai sofrer, serão várias cadeias, como o setor de negócios e de transporte. Alguns já estão sendo impactados porque nós estamos sofrendo a oscilação no dólar, então, nós já estamos sofrendo impacto disso antes mesmo do dia 1º de agosto, quando o tarifaço passará a valer. Mesmo que no dia 1º o Donald Trump recue, quem vai pagar esse prejuízo?”, questionou, aconselhando que está na hora de o Brasil acordar e lembrar que temos um lado, o lado dos brasileiros.
Reeleição
A respeito do projeto de reeleição ao Senado, a parlamentar revelou que conta sim com o apoio dos deputados federais e dos deputados estaduais para formar uma parceria de olho nas eleições de 2026. “Ninguém chega a lugar nenhum sozinho e eu sou muito favorável às emendas parlamentares. Por quê? Porque nós não podemos concentrar todo este poder econômico, financeiro, na mão de um só poder. Nós precisamos dividir essa cota e, mais ainda, é quem mora no Estado, quem está lá nos municípios, que somos nós que estamos aqui na ponta, que sabemos as necessidades. Se eu deixar tudo para o governo federal, eles nunca vão saber que o município X precisa de emenda por conta disso e daquilo”, ressaltou.
Ela revelou que tem uma parceria com o deputado estadual Zé Teixeira (PSDB), como também com o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB). “Eles identificaram localidades que precisam de recursos e eu disponibilizei emendas. Esse também são os casos das vereadoras Isa Marcondes (Republicanos) e Carla (Podemos). Nós estamos trabalhando cada um no seu nicho. A Carla ajuda na causa animal, a Isa, de outra forma. Eles pedem, eu tenho emenda, então, por que não fazermos juntos?”, perguntou.
Sobre o apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PSDB), Soraya Thronicke reforçou que vai caminhar ao lado dele em 2026. “Não sei se nós temos um time, um grupo político, a tendência realmente é a diminuição do número de partidos, não é fácil hoje montar chapas para deputados federais, estaduais, mas eu tenho um time e nós vamos nos unir em um partido, ou no Podemos, ou em outro partido que nos acolha com uma estrutura viável, porque não dá para montar tantas chapas assim”, explicou.
A senadora detalhou que esteve com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) para conversar sobre possibilidade de trocar de partido. “Sim, tem que ser pragmática nesse momento. Nós conseguimos levantar o Podemos do zero, colocar as prestações de contas em dia e, hoje, temos um grupo político. Eu vou caminhar ao lado de Eduardo para a reeleição dele ao governo e a minha ao Senado Federal”, assegurou.
Soraya Thronicke espera contar com o apoio das pessoas da direita que não estão dentro da bolha de dissonância cognitiva coletiva criada por Bolsonaro e que conseguem raciocinar. “Se Bolsonaro realmente conseguisse hoje transferir tantos votos assim, o deputado federal Beto Pereira (PSDB) teria sido eleito prefeito de Campo Grande no ano passado. A verdade é essa, então, não é assim, não é simples assim, não é automático assim. Eles são bastante kamikazes, o grupo briga entre si, mas tem gente que já me procurou e disse: olha Soraya, hoje eu entendo e me arrependo. E para mim, ok, mas eu não conto com o voto dessas pessoas, prefiro continuar trabalhando e conquistando. Por isso, hoje, ao meu lado, tenho gente de várias ideologias, mas pensando no Brasil”, finalizou.
“A Banca” Entrevista com o senador Nelsinho Trad
por Redacao | jul 22, 2025 | Destaques, Entrevista, informes, NOTÍCIAS, política

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) foi o entrevistado desta terça-feira (22) do programa “A Banca”, da Rede Top FM, que tratou da missão de senadores aos Estados Unidos para tentar impedir o tarifaço do presidente Donald Trump contra o Brasil. Ele também abordou a possível candidatura do irmão, o ex-deputado federal Fabio Trad, a governador pelo PT em 2026, bem como sobre a campanha dele à reeleição.
“O que está havendo? Houve, não só relativo ao Brasil, mas relativo a centenas de países, mundo afora, uma sobretarifa do governo americano. Aí você olha para trás e vê como que eles reagiram. Uns rebateram a tarifa, outros sentaram na mesa para dialogar e outros deixaram por isso mesmo. O México sentou na mesa para dialogar e deu certo”, pontuou.
Ele completou que a situação relativa ao que proporcionou a sobretarifa no México é muito mais cara para o americano do que a brasileira, pois envolve a questão da imigração para os Estados Unidos por parte dos cidadãos mexicanos. “A China é o maior competidor dos Estados Unidos e também sentou na mesa para conversar. Eu penso que quem tem a prerrogativa de negociar é o Executivo, mas nós temos o dever de dialogar”, afirmou.
Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, o parlamentar disse que não poderia deixar passar tsunami desse na sua frente e não fazer nada. “Eu busquei no regimento interno do Senado qual é a atitude que a gente poderia provocar e criamos essa comissão de senadores, que foi aprovada por unanimidade no plenário da Casa. E lá temos as prerrogativas que a gente tem que fazer para poder atingir o nosso objetivo, que é baixar essa temperatura”, revelou.
Nelsinho explicou que pretende se reunir com parlamentares norte-americanos e olhar nos olhos deles para dizer que o tarifaço é ruim para o Brasil, mas também é muito ruim para eles. “Tomara que uma das reuniões seja de manhã porque o café da manhã do americano tem dois ingredientes que não faltam, que é o suco de laranja e o café brasileiros, então, isso vai afetar a rotina do americano”, pontuou.
Irmãos
Ainda durante entrevista, o senador falou sobre a possibilidade de o irmão dele, o ex-deputado federal Fábio Trad, se filiar ao PT e ser o candidato do partido a governador de Mato Grosso nas eleições de 2026. “O Fábio é um intelectual e, se você for analisar a personalidade dele, verá que é um cara que estuda muito, que lê muito, é fora da curva. Não é que ele tem um parafuso a menos, ele tem cinco a mais. O Fábio lê três livros novos por semana. E ele tem, assim, uma prática, um hábito de se expressar e isso é da natureza dele”, falou.
Ele recordou que, desde pequeno, o irmão subia em caixote para fazer discurso. “Se você olhar a minha mão, você vai ver cinco dedos e nenhum deles são iguais, mas a mão é uma só. Entre nós há um respeito, há uma consideração e eu posso avançar até nisso e posso garantir que há amor. Porque entre irmãos tem que ter isso. Agora, ele sabe desse percurso todo que tem pela frente, o que isso significa”, analisou.
Nelsinho argumentou que o irmão está indo muito bem no campo que está atuando, que é o campo profissional. “O Fábio é um advogado extremamente competente nessa área de Direito Penal. E ele vai ponderar e avaliar tudo isso, não vai cair em cantiga da carochinha de ninguém, que eu sei que estão indo lá, falando na cabeça dele. Isso o envaidece, mas não vou ser eu que vou furar essa bolha do Fábio”, avisou.
Como irmão mais velho, o senador informou que é o primeiro na ordem cronológica dos Trads que ainda estão vivos e atuando na política. “Já morreram todos, eu sou o mais velho dos Trads hoje na família que atua na política e, por isso, tenho o dever de orientar, o que é o mínimo que eu posso fazer e isso eu já fiz. Mostrei para ele o que isso significa, quais são as repercussões disso no futuro e ele está ponderando exatamente nessa questão”, assegurou.
O parlamentar ainda destacou a questão do outro irmão, o ex-prefeito de Campo Grande e agora vereador Marquinhos Trad (PDT). “Fiquei três dias chateado sem sair de casa porque ele renunciou à Prefeitura Municipal para concorrer ao cargo de governador. Cansei de falar para ele, mas o Marcos é muito ousado. Ele tem uma coisa assim mais forte do que nós, que é a coragem. E, às vezes, na vida você tem que ser corajoso. Ali, a circunstância não favorecia”, ressaltou.
Ele também revelou que, se tivesse a experiência que tem hoje, não teria saído candidato a governador em 2014. “Porque a circunstância também não era boa do mesmo jeito de 2022 para o Marquinhos. A gente tinha de inventar um candidato diferente em 2012 na minha sucessão porque na política tem a fadiga de material, o cansaço. O MDB já estava administrando a Capital desde o Juvêncio, que ficou oito anos. Depois veio o André, mais oito, e depois eu, mais oito anos, ou seja, 24 anos de MDB”, calculou.
Trad contou que ia aos bairros, pedia para votar no candidato do MDB, mas as pessoas falavam não. “A gente mostrava os avanços, como creches, postos de saúdes e asfalto, mas eles diziam que eu era um excelente prefeito, porém, queriam um nome novo e de outro partido. Foi o mesmo com o Marquinhos em 2022, pois ele tinha acabado de se reeleger no primeiro turno contra sete adversários, as pessoas queriam que ele ficasse na Prefeitura, que ele estava indo bem, atravessou a pandemia da Covid-19, foi um dos prefeitos que se destacou. Mas isso já são águas passadas, serviu de experiência”, declarou.
Reeleição
Nelsinho também assegurou que pretende tentar a reeleição ao Senado no pleito do próximo ano. “Fazendo um retrospecto de candidaturas à reeleição de outros senadores, a gente fez muita entrega, ampliou o nosso leque político de participação, mas a política é muito dinâmica. Eu tenho oito eleições nas minhas costas. Meu lombo já tá queimado e grosso de tanta pancada que eu levei”, avisou.
Ele prosseguiu, completando que, com muita tranquilidade, não abrirá mão de tentar ser reeleito. “Porque eu tenho a prerrogativa da reeleição, é minha, pela lei, eu tenho essa prioridade e vou aguardar todos os desdobramentos no campo político nacional, no campo político estadual e, a partir daí, me posicionar de forma certa para gente poder ter menos dificuldade nessa trajetória”, explicou.
Questionado se teria a possibilidade de abrir mão de sair candidato a senador para ser candidato a deputado federal, o parlamentar foi enfático na resposta. “Essa possibilidade não passa na minha cabeça. Eu tenho a prerrogativa da reeleição, entendo que fiz uma boa entrega, um bom mandato”, assegurou.
A respeito da situação de ter vários candidatos no campo da direita, Nelsinho disse que isso não acontece apenas no Senado. “Se você olhar no plano de cima, para a presidente da República tem cinco ou seis candidatos da direita, então isso faz parte de um grupo que sabe incrementar e incentivar as suas lideranças. Aqui nós temos candidatos altamente competitivos, que eu respeito a todos, me dou bem com todos eles, gosto deles, converso com eles, mas vai chegar lá na frente, assim foi em 2018, cada um vai saber se posicionar melhor para poder não arriscar um tiro no escuro”, ponderou.
Prefeita Adriane
O senador também foi perguntado sobre a gestão da atual prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e lembrou, com a experiência de quem administrou a Capital por dois mandatos, que não é uma tarefa fácil. “É muito difícil. Não digo pouco, é muito difícil. Você tem que ter uma equipe boa, comprometida, leal e competente. E você tem de herdar uma transição otimizada, organizada, algo que aconteceu comigo”, recordou.
Trad revelou que, quando sentou na cadeira de prefeito, não tinha um fornecedor para pagar, pois o prefeito anterior, André Puccinelli, deixou tudo pago. “Eu não tinha um funcionário com dinheiro para receber. A folha estava toda equacionada. Tinha dinheiro em caixa para poder fazer os investimentos e tinha uma sequência de ação e de administração”, assegurou
O parlamentar lembrou que, quando assumiu, Puccinelli falou: ó, essas obras eu não consegui terminar, então, eu vou te aconselhar que, antes de você querer fazer as suas, termine essas obras daqui”. “E foi o que eu fiz. Fiquei dois anos até terminar todas as obras que o André iniciou para depois dar sequência com as minhas ações. Campo Grande passa por momentos realmente difíceis depois que eu saí, com perda de ICMS e isso é muito grave. Quando eu saí, estava batendo 23% do total do ICMS arrecadado do Estado e, se não me engano, hoje está em torno de 11%. Só para você ver o que isso impacta quando você tem o bolo do recurso para você fazer o investimento”, exemplificou.
Nelsinho disse que a prefeita Adriane é uma pessoa muito determinada. “Isso aí vocês podem falar o que quiser. Se tá indo bem ou não é outra coisa agora. Ela é guerreira, ela vai para o fronte, ela é determinada e estamos torcendo para que as coisas possam ir bem, melhor do que estão porque como que nós vamos torcer contra Campo Grande? Não podemos fazer isso. Foi eleita pela maioria dos votos e a gente tem que apostar que vai dar certo”, desejou.
Para encerrar, o parlamentar informou que tem se aproximado da prefeita Adriane e estendido a mão. “Ela tem a senadora Tereza Cristina (PP), que é uma parlamentar diferenciada, com alto respeito, credibilidade dentro do Congresso Nacional. E nós estamos prontos para poder ajudar. Situações como essa de perder recursos federais muitas das vezes podem acontecer, mas eu tenho a certeza que vai servir de lição para não acontecer mais. Se houve esse deslize, vamos procurar corrigir e vamos correr atrás de novos recursos para a nossa Capital”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:
Por: Informações Diário MS News
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Diretor da Rede Top FM, Tony Ueno, Equipe do programa “A Banca” Joel Silva, Karine Cortez, Edir Viegas e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS)









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