“A Banca” Entrevista com o deputado federal Vander Loubet

por | jul 21, 2025 | Destaques, Entrevista, informes, NOTÍCIAS, política

O programa “A Banca”, da Rede Top FM, iniciou a semana entrevistando nesta segunda-feira (21) o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT em Mato Grosso do Sul, que tratou sobre a vitória para presidir o partido, a candidatura ao Senado, a permanência ou não da legenda no governo de Eduardo Riedel (PSDB), a disputa com a direita e as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, ao Brasil.

“Nós fizemos a eleição direta, sendo o único partido no Brasil com eleição direta, em que votaram quase 9 mil filiados aqui em Mato Grosso do Sul. Eu fiz dez debates, visitei mais de 60 municípios e o que eu encontrei? Uma militância muito consciente da responsabilidade dos desafios que estão colocados para nós. Até porque, a disputa e a polarização não atrapalharam minha vitória, pois sempre fui um cara muito aberto às alianças, que fazem com que, quando você não tem força suficiente para disputar sozinho, junte forças e ganhe para governa juntos”, declarou.

Ele revelou que, durante a campanha para presidente estadual do PT, o debate central foi muito a questão de ficar ou não no governo de Riedel e a reeleição do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. “Por isso, nós temos unidade até com aqueles que disputaram comigo, embora eu tinha 90% lideranças partidárias comigo. Também falamos sobre a possibilidade de voltar a ter um senador aqui no Estado e ampliar a nossa bancada estadual e federal. E a gente debateu e discutiu e saiu com um partido muito unificado”, assegurou.

Equipe do programa “A Banca” Joel Silva, Karine Cortez, Edir Viegas, José Habyner e o deputado federal Vander Loubet

O parlamentar completou que está muito otimista para as eleições gerais do próximo ano em Mato Grosso do Sul e no resto do Brasil. “A gente retomou uma narrativa na sociedade que eu acho que é muito importante, que a gente estava patinando e nos dá agora um fôlego enorme para construir, principalmente, a frente democrática mais ampla aqui no Estado pra ajudar o Lula. Esse é o desafio que está colocado para nós”, informou.

Sobre o governador, Vander disse que Riedel tem uma avaliação extremamente positiva, se pegar as pesquisas, mas não é uma avaliação positiva consolidada. “A hora que você pergunta para o cidadão, qual que é a marca do Riedel? A maior parte deles que responde não tem resposta. É um governo que precisa entregar. Até agora é um governo conceitual, em cima de conceitos, mas não tem marca, esse governo precisa ter marca. E, na verdade, o Riedel também pegou esses dois anos e seis meses sem oposição na Assembleia Legislativa”, lembrou, completando que o PT optou em ir para o governo dele.

Loubet acrescentou que o governador precisa tomar muito cuidado, ainda mais agora, depois dos últimos episódios políticos do país. “Ele vai ver que, diferentemente de dois anos e meio atrás, quando na verdade, naquele momento, foi cirúrgico em não perder parte do bolsonarismo que precisava para ser eleito, e, ao mesmo tempo, nós fomos determinantes no segundo turno porque o Riedel disputava com um adversário que era a cara do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi o Capitão Contar (PRTB)”, recordou.

Agora, de acordo com o deputado federal, o PT está no governo por uma opção porque como o governo federal tem a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), e tem também esses partidos de centro-direita com ministérios, “seria muito difícil disputar a narrativa dos investimentos da União porque, queiramos nós ou não, eles vêm pelo Estado e com os municípios”. “Como o PT não tem prefeituras no Estado, para nós, era importante ter esse braço, porque senão toda a narrativa positiva e os investimentos do governo federal em Mato Grosso do Sul teria a Simone sozinha como porta-voz”, explicou.

Ele explicou que o partido fez a opção de entrar no governo Riedel para disputar esses espaços e para disputar a narrativa do governo federal nos investimentos aqui no Estado. “Eu acho que isso deu uma contribuição enorme para o Estado, são quase R$ 30 bilhões de investimentos, se você pegar a concessão da BR-262, da BR-267 e agora da BR-040, com mais o PAC e com mais os investimentos na área da saúde, na área da educação, os investimentos de infraestrutura, de emendas, ou seja, isso traz um benefício enorme para os municípios, porque o cidadão mora no município e é lá que precisa chegar esses equipamentos”, argumentou.

Nesse sentido, conforme o parlamentar, o governador pode até fazer uma composição tranquila, mas vai depender muito dos movimentos que fará no tabuleiro de xadrez político que está colocado. “Quem que sai candidato? A direita? Fica tudo com ele? Unifica? Ou não? Nós, como vamos ficar? Nós vamos tomar uma decisão e estamos fazendo um movimento, conversando. Eu já conversei com o ex-deputado federal Fábio Trad e vamos conversar com a ministra Simone, queremos trazê-la para a frente democrática, para discutir conosco”, avisou.

Vander acrescentou que, se for possível construir essa frente democrática com a Simone Tebet e com o Fábio Trad, lá na frente, se alguém estiver melhor do que ele para ser o candidato ao Senado, vai abrir mão. “Porque nos interessa abrir esse debate e discutir, com pesquisa, com alguns critérios que a gente pode adotar. Porque para mim o estratégico é a reeleição do Lula e acho que o movimento e o cenário que se desenha nesses dois episódios, principalmente a questão do IOF e agora essa questão das taxações do Trump, nos coloca em uma condição de disputar essa narrativa e eu vejo que o Lula vai crescer muito junto ao eleitorado”, projetou.

Loubet completou que, em função desses episódios, tem que ter muita tranquilidade e fazer o que Lula está fazendo, colocando o governo, a equipe e o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) para coordenar com os empresários. “Esses setores afetados aqui, fazendo todo esse movimento, o Itamaraty negociando, mas a gente sendo intransigente na defesa da nossa soberania, do Estado Democrático de Direito, porque não dá para um país querer intervir aqui no Judiciário nosso, ou no Executivo, ou no Legislativo. Nós somos um país democrático, independente, com sustento dos poderes, e a gente tem que preservar isso sem admitir qualquer tipo de interferência da forma que foi colocada”, afirmou.

Direita

O presidente estadual do PT também analisou a situação da direita no País. “Primeiro eu acho que a direita erra nos dois sentidos. Eu acho que assim, o que acontece, o Alexandre Moraes (ministro do STF), ele tem uma coisa completamente diferente do episódio que nós vimos lá do juiz do Paraná Sergio Mouro naquele episódio da Lava Jato. O direito de defesa, acelerar o processo, unilateralmente não respeitava as decisões das instâncias superiores, agora não. O Alexandre Moraes está fazendo tudo legitimado, garantindo o direito de defesa do Bolsonaro e construindo uma maioria, não é de forma isolada dele”, pontuou.

Para o parlamentar, todas as decisões vêm com maioria referendado pelo Pleno do Supremo. “Essa é a diferença. Outra coisa que a gente vê, eu acho que eles cometeram essa afronta, quem conhece o Alexandre, pelo contrário, cada vez que ele é acuado, ele aperta muito mais a chave em cima deles. E é respaldado pela maioria do Supremo. Então, eu acho que, na verdade, o que acontece? Eu acredito que a direita está perdida na estratégia, enquanto isso, as entregas do governo Lula vão acontecer até o ano que vem e isso fortalece quem está com a caneta na mão na condição de reeleição. Ou seja, eu acho que é muito difícil a gente perder as eleições. Precisa errar demais e o Lula não é um cara para errar muito. E é um fenômeno eleitoral. Mostrou isso nessa disputa contra o Bolsonaro dois anos e meio atrás”, lembrou.

A gestão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), também foi lembrada pelo deputado federal petista. “Primeiro, eu acho que a prefeita perdeu a grande oportunidade de, assim que ganhou, ter chamado todo mundo para um grande pacto. Quem ganha tem que ser mais generoso e chamar os derrotados para conversar. Chamar todo mundo para dar o mérito das ações, o Riedel tem sido muito competente nisso com relação ao governo federal. Mesmo demonstrando a diferença ideológica, tem momentos que você tem de enfrentar o seu eleitorado, pois a cidade precisa de um grande ajuste. Se perdeu muito, não estou falando que nem que é culpa da Adriane só, mas ela está no comando, ela tem que ter essa compreensão”, aconselhou.

Assista a entrevista completa pelo link:

Informações Diário MS News

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