O programa “A Banca”, da Rede Top FM, iniciou a semana entrevistando, nesta segunda-feira (14), o superintendente do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho, que falou sobre o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da relação do PT com a gestão do governador Eduardo Riedel (PSDB) e da polarização do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

“Eu sou professor de Direito da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e gosto de dizer para os meus alunos que sou professor de Direito Constitucional. A Constituição é um projeto de sociedade e o seu artigo 1º diz que o fundamento da República Federativa do Brasil é a soberania. Nós somos independentes e nenhum país pode ditar a legislação brasileira, a economia brasileira. É óbvio que a gente tem relações de reciprocidade com todos os países e o presidente Lula é conhecido por respeitar os países e sua soberania”, declarou.
Ele completou que não cabe ao presidente Donald Trump definir, a partir de uma carta, como o Brasil deve se comportar. “Uma carta que sequer chegou ao Brasil e uma carta que é copiada. Se fosse meu aluno, eu dava zero porque é plágio. A carta do Donald Trump é uma cópia de várias outras cartas que, quando ele acorda de mau humor e quer ferrar os países, manda”, declarou.

Tiago Botelho acrescentou que fica ouvindo os bolsonaristas dizendo que a culpa não é do ex-presidente Bolsonaro. “Como que a culpa não é do Bolsonaro? A carta inicia falando que o Brasil persegue o Bolsonaro. O sistema de justiça persegue o Bolsonaro. Aí depois ele fala que a relação dos Estados Unidos com o Brasil é injusta e que o Brasil fica tentando perseguir as redes sociais norte-americanas. Ô gente, não tem sentido essa carta que nunca chegou. E até no fim ele diz, podemos até rever se houver anistia”, pontuou.
Agora, prosseguiu o superintendente do Patrimônio da União no Estado, o filho do ex-presidente Bolsonaro, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foi para os Estados Unidos ficar falando um monte de picuinha e de repente vem a taxação. “Quem mais vai ser prejudicado quando a gente traz para Mato Grosso do Sul é o agronegócio porque aqui nós não temos grandes indústrias. Vocês do agronegócio precisam pressionar a senadora Tereza Cristina (PP), o deputado federal Gordinho do Bolsonaro (PL) e o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), com quem não concordo em nada, mas foi a pessoa mais sensata da bancada bolsonarista ao falar que isso não era bom”, afirmou.
De acordo com ele, agora será possível separar o joio do trigo, pois quem ficar defendendo Donald Trump é contra o Brasil. “Eu não quero uma guerra Brasil versus Estados Unidos, mas quem tem mandato precisa ajudar o presidente Lula e se unir pelo Brasil e pelo agronegócio. Eu falo que sou de esquerda e estou defendendo mais o agronegócio que a própria Tereza Cristina, que é uma mulher do agronegócio. Eu não vi a Tereza Cristina vindo ao público se manifestar de forma enfática dizendo estou contra o agronegócio”, ressaltou.
Tiago Botelho projetou que o presidente Lula deve chamar os representantes do agronegócio e das indústrias para dar uma freada na família Bolsonaro ou a família Bolsonaro vai estragar o Brasil. “A esquerda conseguiu mostrar a incoerência porque é um momento em que ou você está do lado do Brasil ou você está contra. Essa é uma taxa do Bolsonaro, ela é uma ‘bolsotaxa’ porque a família Bolsonaro construiu e, o seguinte, agora que a gente está conseguindo diminuir o preço da alimentação, você pega uma taxa dessa, se taxar o agronegócio, a alimentação vai aumentar. Isso vai chegar diretamente na população brasileira”, alertou.

Governo Riedel
Também durante a entrevista, Tiago Botelho falou da relação do PT com a administração do governador Eduardo Riedel. “Acho que o PT deve ter um candidato a governador e nós temos de sair da base do Riedel, pois ele desmereceu o PT. Ele fica, assim, nesse silêncio do compliance dele, não entendo muito o Riedel. É um cara gente boa. Gosto dele particularmente, mas qual que é o grande projeto de Estado que ele tem?”, questionou.
Ele prosseguiu dizendo que já ouviu dizerem que o “Riedel como governador é um bom secretário”. “Eu concordei com isso, porque qual é o projeto do governador Eduardo Riedel? Parece que o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) continua sendo governador deste Estado. E acho que, em um segundo turno, se fosse o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) e um candidato do PT, se o PSDB apoiaria o candidato do PT ou apoiaria o Contar?”, voltou a indagar.
Para o titular da SPU no Estado, o PT teve responsabilidade política, pois foi lá e declarou voto ao então candidato Eduardo Riedel. “Não tenho vergonha de dizer, eu votei no governador Eduardo Riedel. Acho que ele é um democrata, acho que falta mais energia, tesão nessa gestão dele. Qual política nova o Riedel construiu? Não construiu, é uma continuidade do governo Azambuja, um estado curto, um estado que tem 79 municípios, dava para ter mais gestão”, cobrou.
O superintendente acrescentou que o PT foi pouco valorizado no governo Riedel. “Ele deu subsecretarias que não têm orçamento, a Agraer também está sem orçamento, o Riedel tinha que ter tido responsabilidade e ter dado uma secretaria, duas secretarias e, outra, ele esconde o governo do presidente Lula. Quando o Lula esteve em Ribas do Rio Pardo (MS), o Riedel escondeu, não postou uma foto com o Lula. Ele tem medo, porque a base dele é bolsonarista”, assegurou.
Tiago Botelho ainda aconselhou a perguntarem ao ex-governador Azambuja quanto que o Bolsonaro mandou de recursos para Mato Grosso do Sul e quanto que o Lula está mandando agora. “Particularmente eu acho que a gente tem que sair da base do governo. Acho que é muito ruim a gente continuar nessa base. Precisamos ter candidatura ao governo em 2026”, defendeu.
Ainda falando de política, ele disse que está estudando ser candidato a deputado estadual ou federal. “Eu gostaria muito de ser pré-candidato a deputado federal, mas também posso ser candidato a deputado estadual. Vou tomar uma decisão até antes de outubro para ter um ano aí pra rodar este Estado. Estou muito animado e acho que agora vai”, projetou.
O titular da SPU abordou que, se tirar Zeca e Vander Loubet do PT, a representatividade do partido na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados diminui. “A gente está falando de quadros consolidados, por exemplo, o Vander teve 80 mil votos, o Zeca teve 30 na última eleição. Nós não temos um quadro de esquerda hoje em Mato Grosso do Sul que tenha essa somatória de votos para fazer o quociente eleitoral”, reconheceu.
Por isso, ele disse que tem chamado a atenção da nova geração, formada pela deputada federal Camila Jara e pela deputada estadual Gleice Jane, para encontrar novas lideranças. “Eu vejo o Franklin em Dourados, vejo o Jean em Campo Grande, vejo a Maria Diogo em Três Lagoas, vejo o Lucas em Ribas do Rio Pardo, que são de uma nova geração de políticos e eles têm potencial. Entendo que a eleição de 2026 é muito importante porque é a última eleição do Lula. E aí uma crítica ao próprio PT, o meu partido, por qual motivo a gente não conseguiu construir novas lideranças?”, perguntou.
Divisão do PSDB
Tiago Botelho também criticou a “novela” sobre a troca partidária do governador Eduardor Riedel e do ex-governador Reinaldo Azambuja, que devem deixar o PSDB para se filiarem ao PP e ao PL. “O Riedel vai pra um partido, o Azambuja vai para outro e, juntos, levam os deputados estaduais e federais. Por que isso? Ou nós, e aí eu me incluo, da classe política temos mais responsabilidade com a população, ou fica difícil defender os políticos”, afirmou.
Ele ainda confirmou que o deputado federal Vander Loubet será o candidato do PT ao Senado em 2026. “Eu tive 200 mil votos, que não sou ninguém na fila do pão, o Zeca teve 300 mil votos para senador, o Vander tem uma inserção nesses municípios, junto a prefeitos, sem ser a base do PT, por isso, eu acho que o Vander tem condições reais de ser eleito senador. Eu defendo que a gente saia agora em outubro do governo do Riedel, o mais rápido possível, para que a gente tenha aí umas possibilidades. O próprio Fábio Trad (sem partido) está defendendo muito o Lula nas redes sociais e pode ser o nosso candidato a governador, mas temos outros quadros, a vereadora Luiza Ribeiro, que é um quadro bom para ser candidata ao governo também”, citou.
O superintendente do Patrimônio da União lembrou ainda da advogada Giselle Marques, que não era da política, mas teve mais de 10% dos votos para governadora em 2022. “Então, eu acho que é importante o PT ter um projeto para fazer enfrentamento ao governo estadual. E digo mais, a saída do Azambuja para o PL é para tentar segurar os bolsonaristas. Se eu fosse os bolsonaristas, não votaria no Azambuja porque ele não é Bolsonaro. O Riedel também não é Bolsonaro. Essa gente se faz de Bolsonaro para ganhar eleição. O Riedel, inclusive, no Roda Viva, meio que criticou o Bolsonaro. Ele falou que o Bolsonaro não lhe apoiou, quem apoiou o Bolsonaro foi ele”, recordou.
Tiago Botelho disse que não entendia o porquê de Riedel e Azambuja ficam brigando por migalhas do “bolsonarismo imbecil”. “Se fosse os bolsonaristas, se juntava para não deixar o Azambuja ir para o PL”, aconselhou, completando que o PT é muito forte no Estado, tendo cinco deputados, três estaduais e dois federais. “É possível que em 2026 a gente faça um senador. Nós não fizemos o quarto estadual por 4 mil votos. Então eu entendo que nesse momento de virada de chave das redes, onde a gente tá fazendo enfrentamento, mostrando para a população que o nosso compromisso é com a classe trabalhadora”, finalizou.
Assista a entrevista completa pelo link:

Informações Diário MS News









0 comentários