Com sessão extra, espetáculo de dança “Corpo Sobre Penas” estreia em hotel histórico de Campo Grande

por | maio 7, 2026 | cultura, Destaques, informes, NOTÍCIAS | 0 Comentários

O projeto “Corpo Fantasma – Protótipo A”, aprovado no Fundo Municipal de Investimento à Cultura (FMIC), se inspira em Vidas Secas, Retirantes e Frankenstein para investigar o corpo em transformação.

Antes mesmo da estreia, a performance “Corpo sobre penas”, do artista Halisson Nunes, já mobiliza o público e ganha uma sessão extra no domingo (10), às 19h, devido à alta procura. O espetáculo estreia nesta sexta (8) e sábado (9), às 19h30, no Hotel Gaspar, convidando o público a refletir sobre a seca e a lentidão como metáforas da vida contemporânea.

Entre o que falta e o que resiste, um corpo se constrói no tempo. É nesse território de atravessamentos que nasce “Corpo Sobre Penas”, nova criação do bailarino sul-mato-grossense Halisson Nunes, com direção de Fernando Martins, artista de São Paulo. As apresentações serão realizadas no hotel que fica localizado na Avenida Mato Grosso, nº 2, centro de Campo Grande. A entrada é gratuita, com doação de 1kg de alimento não perecível ou item de higiene, destinados à Central Única das Favelas (CUFA).

Inspirado nos clássicos “Vidas Secas”, do escritor Graciliano Ramos, “Retirantes”, do pintor Cândido Portinari, e na figura de Frankenstein da escritora Mary Shelley, a intervenção artística não busca narrar essas referências, mas extrair delas uma estética: corpos fragmentados, em deslocamento e constante reconstrução em meio às adversidades.

“A referência não vem como dramaturgia, mas na plasticidade em si. Aqui a proposta não é reproduzir a figura de cada obra, mas a força e a ideia de movimento e de tempo que as imagens carregam”, afirma Halisson.

Com duração de 40 minutos e classificação livre, a obra propõe uma experiência sensorial que atravessa dança, artes visuais e literatura para investigar corpos em transformação — marcados por ausência, resistência e reinvenção.

Corpo sobre Penas – Partindo do projeto “Corpo Fantasma – Protótipo A”, o espetáculo propõe um corpo atravessado por ausência, excesso e tentativas de reorganização no mundo contemporâneo. Ao acionar imagens da literatura e das artes visuais, a performance constrói uma poética onde o corpo não representa — ele resiste.

Em cena, o público encontra um corpo que se reorganiza diante da escassez. “É um corpo que se constrói no espaço, atravessando estímulos sensoriais e propondo a lentidão como gesto de resistência e diálogo com a plateia”, afirma Halisson.

A direção artística é assinada pelo esquizoanalista, produtor musical e artista Fernando Martins, que também compõe a trilha sonora. O processo de criação ocorreu ao longo de meses, em um intercâmbio entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, combinando encontros presenciais e investigações à distância.

“Hoje o trabalho está em um estado mais fino de lapidação. Não buscamos mais o que fazer, mas como sustentar o que emergiu”, afirma Fernando que pontua ainda a importância da trilha. “O som não acompanha a cena — ele interfere. Afeta decisões, ritmo e presença”.

Palco: memória e travessia – Mais do que cenário, o Hotel Gaspar também integra a narrativa. Inaugurado na década de 1950, o espaço foi um dos principais pontos de chegada e partida da cidade, funcionando como a primeira rodoviária de Campo Grande. Hoje desativado, reabre de forma pontual para receber o projeto, reforçando a relação entre memória, deslocamento e criação artística.

O projeto “Corpo Fantasma – Protótipo A” conta com financiamento do FMIC – Fundo Municipal de Investimentos Culturais, da Fundac – Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, da Prefeitura da Capital. Além do apoio do Centro Cultural José Octávio Guizzo, da FCMS – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Governo do Estado. Acompanhe o trabalho pelo Instagram (@umcorposobrepenas).

Artistas

Halisson Nunes é acadêmico do curso de Dança – Licenciatura na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e tem uma pesquisa de dois anos, indo para o terceiro, no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), onde propõe imagens e texto como dispositivos de criação cênica e atualmente tem relacionado com os territórios direcionando para patrimônios históricos com objetivo de preservação das memórias da cidade de Campo Grande (MS). Participa do grupo de pesquisa GPPED – Linha de pesquisa Corpo, Leitura e Memória com orientação de Rosana Baptistella. O dispositivo de imagens na pesquisa são as obras “Retirantes”, de Portinari, e “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, que deu origem ao projeto “Corpo Fantasma” de sua autoria.

Fernando Martins é artista da dança com 39 anos de trajetória, atuando entre coreografia, produção sonora e pesquisa do corpo. Desenvolve investigações que articulam movimento, música e dramaturgia, com destaque para as pesquisas “Brain Diving” e “Dieta Aranha”, que pensam o corpo como campo sensível, conectado e em constante adaptação. Colaborou com companhias nacionais e internacionais, como Galili Dance, Quasar e Balé da Cidade de São Paulo. Atualmente vive em Piracaia (SP), onde conduz processos criativos na Casa Ateliê. Sua atuação também se estende à criação de trilhas sonoras e à condução de workshops e residências artísticas com forte colaboração em Mato Grosso do Sul.

Serviço:

Projeto Corpo Fantasma
Local: Hotel Gaspar
Endereço: Av. Mato Grosso, nº 2 – Centro de Campo Grande

Espetáculo “Corpo sobre penas”
Datas: Sexta (8) e sábado (9), às 19h30
Sessão extra: Domingo (10), às 19h

Entrada gratuita (1kg de alimento ou item de higiene para doação)

por Aline Lira//Lucas Arruda

0 comentários

Enviar um comentário