A política sul-mato-grossense já ensinou uma lição que ninguém deveria esquecer.
Em 2018, o então senador Waldemir Moka disputava a reeleição ao Senado.
Naquele momento, 61 dos 79 prefeitos do Estado declararam apoio formal à sua candidatura.
Carta pública.
Manifestação coletiva.
Reconhecimento por mais de R$ 550 milhões em emendas destinadas aos municípios.
Relatoria-geral do Orçamento da União de 2019.
No papel, favoritismo consolidado.
Mas a urna contou outra história.
A maioria institucional não se traduziu em maioria popular.
E essa lembrança é fundamental quando olhamos o cenário que começa a se desenhar agora.
Teremos duas vagas ao Senado.
Mas o que se apresenta no campo da direita são três nomes competitivos.
O ex-governador Reinaldo Azambuja chegou como favorito natural. Estrutura, experiência, articulação, base construída ao longo de anos.
Mas nunca foi unanimidade dentro da direita mais ideológica.
Sempre houve resistência.
E justamente por isso houve a migração para o Partido Liberal — numa tentativa clara de aproximar-se do eleitorado bolsonarista.
Só que o cenário mudou.
O presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, já declarou compromisso com Capitão Contar.
E agora surge o bilhete do ex-presidente Jair Bolsonaro recolocando Marcos Pollon oficialmente no jogo.
São dois nomes que foram campeões de voto.
Dois nomes que falam diretamente com a base mais fiel da direita.
E aqui está o ponto central:
São três candidatos fortes disputando duas vagas.
Matematicamente, alguém vai sobrar.
Reinaldo não tem a simpatia automática do eleitorado bolsonarista raiz.
Contar e Pollon dialogam diretamente com esse público.
E a direita já mostrou, em 2022, que não funciona no automático.
Naquela eleição, Eduardo Riedel declarou alinhamento ao bolsonarismo, mas em debate nacional o próprio Bolsonaro declarou apoio a Contar.
Houve ruído.
Houve divisão.
Houve tensão.
Se o roteiro se repetir, a fragmentação pode redesenhar completamente o cenário.
A eleição de 2018 mostrou que apoio de prefeitos não garante vitória.
A eleição de 2022 mostrou que apoio nacional pode mudar discurso da noite para o dia.
Agora a matemática é simples e implacável:
Três para duas vagas.
A questão não é quem é favorito hoje.
A questão é quem terá voto suficiente quando a direita tiver que escolher entre si.
Porque quando o eleitor bolsonarista tiver dois nomes orgânicos diante de si… alguém ficará pelo caminho.
E Mato Grosso do Sul já provou que favoritismo não é seguro.
É confortável.
Mas nunca é garantia.
E na política, conforto excessivo costuma anteceder surpresa.
Joel Silva é jornalista de formação e com pós-graduação em Marketing Político.









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