Grupo tinha comando a partir de presídio em Mato Grosso do Sul e utilizava mulheres como “mulas” para transportar entorpecentes; sete celulares foram apreendidos em cela de segurança máxima em Campo Grande
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), participou de uma importante ofensiva interestadual contra o crime organizado. A ação integra a Operação “Matrioska”, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa estruturada para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As investigações tiveram início em agosto de 2025, após a prisão em flagrante de uma mulher no município de Realeza (PR), flagrada transportando mais de dois quilos de crack em um ônibus de linha. A partir daí, os investigadores identificaram uma complexa rede criminosa com atuação hierarquizada, responsável pela aquisição, transporte, armazenamento e distribuição de entorpecentes, principalmente crack e cocaína, além da movimentação financeira ilícita por meio de contas bancárias de terceiros, os chamados “laranjas”.
Segundo apurado, o comando da organização partia de dentro do sistema prisional de Mato Grosso do Sul. Mesmo custodiado, o líder continuava coordenando rotas de tráfico, distribuição de drogas e operações financeiras ilegais.
A droga era transportada do Mato Grosso do Sul até o Paraná, principalmente por mulheres que viajavam em ônibus de linha, muitas vezes acompanhadas dos próprios filhos, numa tentativa de despistar a fiscalização policial.
No total, a Justiça autorizou o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva, 34 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de ativos financeiros ligados à organização criminosa.
Ação em Campo Grande teve apoio direto do DRACCO
Em Mato Grosso do Sul, equipes do DRACCO cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão em Campo Grande. Um dos alvos já estava custodiado em estabelecimento penal de segurança máxima, onde foi realizada busca dentro da cela, com apoio de policiais penais e do Grupo de Intervenção e Segurança Penitenciária (GISP). Durante a ação, sete aparelhos celulares foram apreendidos, evidenciando a continuidade das atividades criminosas mesmo dentro do sistema prisional.

A delegada Ana Cláudia Medina, titular do DRACCO em Mato Grosso do Sul, destacou a importância da atuação integrada entre os estados no enfrentamento ao crime organizado.
“O trabalho conjunto entre as polícias civis é fundamental para desarticular organizações criminosas que atuam além das fronteiras estaduais. O DRACCO tem papel estratégico nesse enfrentamento, especialmente quando há ramificações e comandos originados dentro do nosso Estado. Seguiremos firmes no combate ao crime organizado, identificando lideranças, interrompendo fluxos financeiros ilícitos e responsabilizando todos os envolvidos”, ressaltou a delegada Ana Cláudia Medina.
Nome da operação simboliza estrutura criminosa
O nome “Matrioska” faz referência à tradicional boneca russa que possui múltiplas camadas internas, simbolizando a estrutura complexa e organizada do grupo criminoso. A denominação também representa o modo de transporte das drogas, frequentemente ocultas junto ao corpo das transportadoras.
Outro dado relevante é que mais da metade dos investigados são mulheres, muitas delas ocupando funções estratégicas dentro da organização, desde o transporte até a gestão financeira das atividades ilícitas.
A operação teve desdobramentos nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, com apoio de diversas unidades especializadas, incluindo núcleos da DENARC, unidades policiais regionais, grupos aéreos e equipes com cães farejadores.
As investigações continuam, com análise dos materiais apreendidos, e novas prisões não estão descartadas.




Fonte: DRACCO / Polícia Civil de Mato Grosso do Sul
Foto: Divulgação









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