Lula falou — e falou alto. Falou como quem já levou o Brasil ao patamar de potência emergente, como quem colocou nosso país entre as sete maiores economias do mundo em determinados anos de seu governo.
Falou que soberania e democracia não são negociáveis — e foi aplaudido de pé. Falou isso enquanto Trump assistia nos bastidores da ONU, talvez ressentido ou admirado, começando a entender o fenômeno Lula.
Inteligente como é o estadunidense, Trump deixou de lado o aliado de ocasião — fingiu gentileza, elogiou Lula do seu jeito e jogou a isca para um eventual encontro no Salão Oval, como se tudo pudesse seguir “normal”. Mas Lula não nasceu ontem.
Não está sozinho: logo em seguida, o chanceler Mauro Vieira falou — e onde falou? Na CNN Internacional, em inglês claro — dizendo que a agenda bilateral pode sim acontecer, aliás deve, mas não agora. Que o encontro seja em campo neutro — telefone, videoconferência ou outro local — porque o Brasil não é república de bananas: é líder da maior economia da América do Sul.
Trump, na história, já humilhou grandes líderes no Salão Oval. Alguns saíram menores do que entraram, engolindo constrangimentos diplomáticos e poses de supremacia. Mas Lula é diferente: forjado na adversidade, sobreviveu à fome antes de se tornar presidente, e foi capaz de tirar o Brasil do mapa da fome.
Quem já lutou e driblou a fome como ele, não vai ser devorado pelo tigre tão facilmente.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









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