Governador de São Paulo abandona tom moderado, ataca Moraes e se aproxima do núcleo duro do bolsonarismo mirando 2026.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surpreendeu ao adotar, nos últimos dias, o discurso mais duro de seu mandato contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. A guinada ocorreu em ato pró-anistia realizado na Avenida Paulista, no domingo (7/9), quando Tarcísio classificou a postura de Moraes como uma “tirania” e, de forma indireta, o apontou como um ditador.
A movimentação marca uma mudança de postura. Desde a inegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023, Tarcísio era visto como uma das figuras mais moderadas do entorno bolsonarista, atuando como ponte entre aliados e o STF. Essa postura agradava partidos do Centrão e o mercado, mas gerava desconfiança no núcleo mais radical, que o considerava pouco combativo para ser o sucessor do ex-presidente em 2026.
Em 2025, no entanto, Tarcísio passou a dar sinais de disposição para radicalizar, numa tentativa de ganhar a confiança do bolsonarismo raiz. A adesão ao discurso anti-Moraes e à articulação pela anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos reforça essa mudança de rota e o coloca diretamente no jogo político do clã Bolsonaro.
A sintonia com a base bolsonarista também se refletiu na política externa. A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em janeiro deste ano, foi exaltada por Tarcísio em postagens nas redes sociais, alinhando-se ao mesmo entusiasmo demonstrado pela família Bolsonaro em relação ao republicano.
O movimento indica que, de moderado e “conciliador”, o governador paulista assumiu de vez a postura de radicalização estratégica — mirando espaço no coração do eleitorado bolsonarista e se posicionando como herdeiro viável do ex-presidente nas eleições de 2026.









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