Entre planos esquecidos, córregos desbarrancados e cultura abandonada, Campo Grande virou a capital do improviso urbano.
Campo Grande conseguiu mais um título para a sua já extensa lista de vexames administrativos: a Promotoria teve que abrir inquérito porque a prefeitura simplesmente esqueceu de revisar o Plano Diretor de Arborização Urbana. Sim, até para cuidar de árvore a cidade precisa de intervenção do Ministério Público.
Enquanto a prefeita Adriane Lopes tenta salvar a própria imagem com discursos vazios e palanques ainda mais vazios, a capital se transforma num grande improviso urbano. Plano Diretor? Só no nome. O que existe é um caos planejado, regado à incompetência oficial e servido à população com aquele sabor amargo de descaso.
E se faltasse prova do descontrole, basta olhar para as margens dos córregos. A Câmara aprovou a remoção da leucena, planta invasora que de fato sufoca a biodiversidade. Até aí, certo. Mas a prefeitura decidiu cortar tudo sem critério, deixando atrás apenas careiras de terra exposta e barrancos desprotegidos, justamente na véspera do período de chuvas. Resultado previsível: mais desbarrancamentos, mais assoreamento, mais degradação.
O exemplo do córrego Cabaça, na região da Vila Ieda, é emblemático: as leucenas foram cortadas no ano passado, mas até agora não houve manejo adequado, plantio de novas mudas ou contenção das margens. Corrigiram um problema e criaram outro ainda maior. É a lógica da gestão improvisada: apagar incêndio com gasolina.
E como se não bastasse o fiasco ambiental, Campo Grande amarga também o título de pior capital brasileira em acesso à cultura. Só 12% da população foi ao teatro no último ano, 66% nunca visitou um museu e 70% das atividades culturais acontecem longe dos bairros. O povo até demonstra interesse — quase metade dos campo-grandenses leu ao menos um livro em 12 meses — mas a prefeitura não oferece estrada: é uma cidade que lê, mas não vê cultura.
O MP investiga a ausência de revisão de um plano que deveria ser básico, mas a cada passo a prefeitura comprova: em Campo Grande, até árvore e cultura viram vítimas do desgoverno.
Parabéns, prefeita Adriane: transformar a “Cidade Verde” em sinônimo de careira e lama também é um tipo de legado.









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