Nesta terça-feira (5), o programa “A Banca”, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a professora Luana Leão, mestre em Educação pela UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), e o advogado Alexandre Oliveira, especialista em Direito Administrativo e Direito Eleitoral, para falarem sobre os 20 anos da Lei Federal nº 10.639, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.
“No contexto educacional, a LDB, que é a nossa Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a Lei Federal nº 10.639 vai sofrer uma alteração no artigo 26 para incluir no currículo oficial da rede de ensino o Ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira. Eu estudei na década de 90, meados de 2000, e a gente lembra que o negro, dentro dos livros, dentro da trazido pelos professores de História, não todos, claro, sempre foi trazido como escravo, como uma figura subalternizada”, lamentou Luana Leão.
A mestre em Educação completou que, a partir de 2003, essa lei foi implementada, mas a sua aplicabilidade começou mesmo a surgir há pouco tempo. “Olha que isso daí já vem de uma luta do movimento negro, mas ela quer trazer realmente a valorização da cultura dos povos africanos. Não somente essa figura do negro escravizado que a gente estuda em História. Não é só isso, a gente sabe que tem muito mais além, então, essa lei vai trazer essa mudança e não somente trazer em forma de vamos colocar aí uma disciplina voltada para isso. Não, vai ser uma forma interdisciplinar, ou seja, em que todas as disciplinas, de uma forma ou de outra, abordem esse tema também”, revelou.
Já o advogado Alexandre de Oliveira citou a letra da música “Cidadão”, eternizada pelo cantor Zé Geraldo, que faz uma crítica ao racismo estrutural. “Em resumo, a letra da música fala de um cidadão que construiu uma escola, mas os filhos não podem estudar nela porque são pobres. Eu tenho um amigo com quem discutia muito essa questão e ele falava que isso é mimimi, não existe. Eu falava assim, não, não é mimimi, é que você não sente, você não é negro, você não sente”, reforçou.
Luana Leão acrescentou que, quando entra em uma sala de aula de uma escola da periferia, sempre tem meninas negras com cabelos afros que tentam esconder o penteado dos demais colegas por causa do preconceito. “Eu sofri muito preconceito quando criança por conta do cabelo. Já cheguei a quase ficar careca de tantos procedimentos químicos para alisar para ser aceita pela sociedade. Aí, quando elas veem a professora lá com o black dela, no outro dia, as meninas negras perdem o medo e também mostram seus penteados. E isso eu falo com autoridade”, afirmou, completando que as pessoas têm de entender que ser negro também é ser bonito e precisa ser valorizado.
Alexandre de Oliveira destacou que Mato Grosso do Sul tem oito deputados federais e nenhum é negro e tem 24 deputados estaduais e nenhum é negro. “Eu não conheço um secretário estadual que seja negro. Do município, menos ainda, porque a gente tem secretário que eu nem sei quem é, mas eu não sei se tem. Só que o negro é a maior parte da população, nós somos mais de 60% da população entre negros e pardos, então, esse racismo estrutural existe. A minha mãe era empregada doméstica, não sabia ler, não sabia escrever e a única coisa que deixou para os filhos foi a educação, pois ela falava que nós só mudaríamos de vida com a educação. Eu me formei em uma universidade pública e, na época, não tinha bolsa por cota racial. Passei em primeiro lugar na prova e, às vezes, algumas pessoas me dizem que eu estudei porque fui cotista”, ressaltou.
Assista a entrevista completa pelo link:
por Rede Top FM












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