A revista britânica The Economist classificou como “ataque sem precedentes ao Judiciário brasileiro” a sanção imposta pelos Estados Unidos ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. A medida foi tomada com base na Lei Global Magnitsky, que permite aos EUA punirem estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
A decisão partiu diretamente do ex-presidente e atual candidato Donald Trump, com apoio de senadores republicanos como Marco Rubio, e foi vista como uma retaliação explícita ao STF brasileiro e ao sistema judiciário do país. Moraes, que conduz o inquérito das fake news desde 2019, tornou-se um dos principais alvos do bolsonarismo.
Para a The Economist, o movimento não apenas interfere na soberania brasileira como também abre um precedente perigoso: é a primeira vez que um magistrado em exercício, em plena democracia, é sancionado por outro país com base em decisões judiciais internas. ‘A medida é mais política do que jurídica’, diz o editorial.
A publicação ainda afirma que a tentativa de Trump de enfraquecer o STF pode sair pela culatra. A reação interna no Brasil foi imediata: parlamentares de diferentes espectros políticos — inclusive da direita moderada — repudiaram o gesto como um ataque direto à democracia brasileira.
O editorial destaca ainda a ironia do momento: enquanto Moraes era sancionado, assistia tranquilamente a um jogo de futebol, demonstrando indiferença à pressão externa. O gesto foi interpretado como um recado claro de que o Judiciário brasileiro não será intimidado.
O texto relembra também os ataques de 8 de janeiro de 2023, minimizados por bolsonaristas como ‘protestos pacíficos’, mas que resultaram em vandalismo, depredação de prédios públicos e ameaças concretas à integridade de autoridades, incluindo o próprio Moraes e o presidente Lula.









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