“A Banca” Entrevista com o senador Nelsinho Trad

por | jul 22, 2025 | Destaques, Entrevista, informes, NOTÍCIAS, política

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) foi o entrevistado desta terça-feira (22) do programa “A Banca”, da Rede Top FM, que tratou da missão de senadores aos Estados Unidos para tentar impedir o tarifaço do presidente Donald Trump contra o Brasil. Ele também abordou a possível candidatura do irmão, o ex-deputado federal Fabio Trad, a governador pelo PT em 2026, bem como sobre a campanha dele à reeleição.

“O que está havendo? Houve, não só relativo ao Brasil, mas relativo a centenas de países, mundo afora, uma sobretarifa do governo americano. Aí você olha para trás e vê como que eles reagiram. Uns rebateram a tarifa, outros sentaram na mesa para dialogar e outros deixaram por isso mesmo. O México sentou na mesa para dialogar e deu certo”, pontuou.

Ele completou que a situação relativa ao que proporcionou a sobretarifa no México é muito mais cara para o americano do que a brasileira, pois envolve a questão da imigração para os Estados Unidos por parte dos cidadãos mexicanos. “A China é o maior competidor dos Estados Unidos e também sentou na mesa para conversar. Eu penso que quem tem a prerrogativa de negociar é o Executivo, mas nós temos o dever de dialogar”, afirmou.

Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, o parlamentar disse que não poderia deixar passar tsunami desse na sua frente e não fazer nada. “Eu busquei no regimento interno do Senado qual é a atitude que a gente poderia provocar e criamos essa comissão de senadores, que foi aprovada por unanimidade no plenário da Casa. E lá temos as prerrogativas que a gente tem que fazer para poder atingir o nosso objetivo, que é baixar essa temperatura”, revelou.

Nelsinho explicou que pretende se reunir com parlamentares norte-americanos e olhar nos olhos deles para dizer que o tarifaço é ruim para o Brasil, mas também é muito ruim para eles. “Tomara que uma das reuniões seja de manhã porque o café da manhã do americano tem dois ingredientes que não faltam, que é o suco de laranja e o café brasileiros, então, isso vai afetar a rotina do americano”, pontuou.

Irmãos

Ainda durante entrevista, o senador falou sobre a possibilidade de o irmão dele, o ex-deputado federal Fábio Trad, se filiar ao PT e ser o candidato do partido a governador de Mato Grosso nas eleições de 2026. “O Fábio é um intelectual e, se você for analisar a personalidade dele, verá que é um cara que estuda muito, que lê muito, é fora da curva. Não é que ele tem um parafuso a menos, ele tem cinco a mais. O Fábio lê três livros novos por semana. E ele tem, assim, uma prática, um hábito de se expressar e isso é da natureza dele”, falou.

Ele recordou que, desde pequeno, o irmão subia em caixote para fazer discurso. “Se você olhar a minha mão, você vai ver cinco dedos e nenhum deles são iguais, mas a mão é uma só. Entre nós há um respeito, há uma consideração e eu posso avançar até nisso e posso garantir que há amor. Porque entre irmãos tem que ter isso. Agora, ele sabe desse percurso todo que tem pela frente, o que isso significa”, analisou.

Nelsinho argumentou que o irmão está indo muito bem no campo que está atuando, que é o campo profissional. “O Fábio é um advogado extremamente competente nessa área de Direito Penal. E ele vai ponderar e avaliar tudo isso, não vai cair em cantiga da carochinha de ninguém, que eu sei que estão indo lá, falando na cabeça dele. Isso o envaidece, mas não vou ser eu que vou furar essa bolha do Fábio”, avisou.

Como irmão mais velho, o senador informou que é o primeiro na ordem cronológica dos Trads que ainda estão vivos e atuando na política. “Já morreram todos, eu sou o mais velho dos Trads hoje na família que atua na política e, por isso, tenho o dever de orientar, o que é o mínimo que eu posso fazer e isso eu já fiz. Mostrei para ele o que isso significa, quais são as repercussões disso no futuro e ele está ponderando exatamente nessa questão”, assegurou.

O parlamentar ainda destacou a questão do outro irmão, o ex-prefeito de Campo Grande e agora vereador Marquinhos Trad (PDT). “Fiquei três dias chateado sem sair de casa porque ele renunciou à Prefeitura Municipal para concorrer ao cargo de governador. Cansei de falar para ele, mas o Marcos é muito ousado. Ele tem uma coisa assim mais forte do que nós, que é a coragem. E, às vezes, na vida você tem que ser corajoso. Ali, a circunstância não favorecia”, ressaltou.

Ele também revelou que, se tivesse a experiência que tem hoje, não teria saído candidato a governador em 2014. “Porque a circunstância também não era boa do mesmo jeito de 2022 para o Marquinhos. A gente tinha de inventar um candidato diferente em 2012 na minha sucessão porque na política tem a fadiga de material, o cansaço. O MDB já estava administrando a Capital desde o Juvêncio, que ficou oito anos. Depois veio o André, mais oito, e depois eu, mais oito anos, ou seja, 24 anos de MDB”, calculou.

Trad contou que ia aos bairros, pedia para votar no candidato do MDB, mas as pessoas falavam não. “A gente mostrava os avanços, como creches, postos de saúdes e asfalto, mas eles diziam que eu era um excelente prefeito, porém, queriam um nome novo e de outro partido. Foi o mesmo com o Marquinhos em 2022, pois ele tinha acabado de se reeleger no primeiro turno contra sete adversários, as pessoas queriam que ele ficasse na Prefeitura, que ele estava indo bem, atravessou a pandemia da Covid-19, foi um dos prefeitos que se destacou. Mas isso já são águas passadas, serviu de experiência”, declarou.

Reeleição

Nelsinho também assegurou que pretende tentar a reeleição ao Senado no pleito do próximo ano. “Fazendo um retrospecto de candidaturas à reeleição de outros senadores, a gente fez muita entrega, ampliou o nosso leque político de participação, mas a política é muito dinâmica. Eu tenho oito eleições nas minhas costas. Meu lombo já tá queimado e grosso de tanta pancada que eu levei”, avisou.

Ele prosseguiu, completando que, com muita tranquilidade, não abrirá mão de tentar ser reeleito. “Porque eu tenho a prerrogativa da reeleição, é minha, pela lei, eu tenho essa prioridade e vou aguardar todos os desdobramentos no campo político nacional, no campo político estadual e, a partir daí, me posicionar de forma certa para gente poder ter menos dificuldade nessa trajetória”, explicou.

Questionado se teria a possibilidade de abrir mão de sair candidato a senador para ser candidato a deputado federal, o parlamentar foi enfático na resposta. “Essa possibilidade não passa na minha cabeça. Eu tenho a prerrogativa da reeleição, entendo que fiz uma boa entrega, um bom mandato”, assegurou.

A respeito da situação de ter vários candidatos no campo da direita, Nelsinho disse que isso não acontece apenas no Senado. “Se você olhar no plano de cima, para a presidente da República tem cinco ou seis candidatos da direita, então isso faz parte de um grupo que sabe incrementar e incentivar as suas lideranças. Aqui nós temos candidatos altamente competitivos, que eu respeito a todos, me dou bem com todos eles, gosto deles, converso com eles, mas vai chegar lá na frente, assim foi em 2018, cada um vai saber se posicionar melhor para poder não arriscar um tiro no escuro”, ponderou.

Prefeita Adriane

O senador também foi perguntado sobre a gestão da atual prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e lembrou, com a experiência de quem administrou a Capital por dois mandatos, que não é uma tarefa fácil. “É muito difícil. Não digo pouco, é muito difícil. Você tem que ter uma equipe boa, comprometida, leal e competente. E você tem de herdar uma transição otimizada, organizada, algo que aconteceu comigo”, recordou.

Trad revelou que, quando sentou na cadeira de prefeito, não tinha um fornecedor para pagar, pois o prefeito anterior, André Puccinelli, deixou tudo pago. “Eu não tinha um funcionário com dinheiro para receber. A folha estava toda equacionada. Tinha dinheiro em caixa para poder fazer os investimentos e tinha uma sequência de ação e de administração”, assegurou

O parlamentar lembrou que, quando assumiu, Puccinelli falou: ó, essas obras eu não consegui terminar, então, eu vou te aconselhar que, antes de você querer fazer as suas, termine essas obras daqui”. “E foi o que eu fiz. Fiquei dois anos até terminar todas as obras que o André iniciou para depois dar sequência com as minhas ações. Campo Grande passa por momentos realmente difíceis depois que eu saí, com perda de ICMS e isso é muito grave. Quando eu saí, estava batendo 23% do total do ICMS arrecadado do Estado e, se não me engano, hoje está em torno de 11%. Só para você ver o que isso impacta quando você tem o bolo do recurso para você fazer o investimento”, exemplificou.

Nelsinho disse que a prefeita Adriane é uma pessoa muito determinada. “Isso aí vocês podem falar o que quiser. Se tá indo bem ou não é outra coisa agora. Ela é guerreira, ela vai para o fronte, ela é determinada e estamos torcendo para que as coisas possam ir bem, melhor do que estão porque como que nós vamos torcer contra Campo Grande? Não podemos fazer isso. Foi eleita pela maioria dos votos e a gente tem que apostar que vai dar certo”, desejou.

Para encerrar, o parlamentar informou que tem se aproximado da prefeita Adriane e estendido a mão. “Ela tem a senadora Tereza Cristina (PP), que é uma parlamentar diferenciada, com alto respeito, credibilidade dentro do Congresso Nacional. E nós estamos prontos para poder ajudar. Situações como essa de perder recursos federais muitas das vezes podem acontecer, mas eu tenho a certeza que vai servir de lição para não acontecer mais. Se houve esse deslize, vamos procurar corrigir e vamos correr atrás de novos recursos para a nossa Capital”, concluiu.

Assista a entrevista completa pelo link:

Informações Diário MS News

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