Com investimento de R$ 50 milhões, iniciativa promete transformar a realidade de quase 30 mil indígenas nas aldeias Jaguapiru e Bororó
A falta de água potável, problema antigo e que há anos desafia milhares de famílias indígenas em Dourados, começa finalmente a ganhar uma solução concreta em Mato Grosso do Sul. O Governo do Estado lançou nesta semana os primeiros editais de licitação que dão início a um amplo projeto de segurança hídrica voltado às aldeias Jaguapiru e Bororó.
A iniciativa representa mais do que uma obra de infraestrutura. Para as comunidades indígenas, o projeto simboliza dignidade, saúde pública e um avanço histórico em uma demanda que atravessa gerações.
Os editais, publicados pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), preveem a perfuração de poços e a implantação da rede de distribuição de água tratada diretamente nas residências das aldeias. O investimento total do projeto chega a R$ 50 milhões e deve beneficiar quase 30 mil pessoas.
O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, destacou que a proposta vai muito além da engenharia e da construção civil.
Segundo ele, levar água de qualidade às comunidades indígenas significa combater desigualdades históricas e garantir cidadania a quem durante décadas conviveu com dificuldades no acesso a um direito básico.
“Levar água de qualidade às aldeias é reduzir desigualdades, promover cidadania e reafirmar que desenvolvimento só faz sentido quando alcança quem mais precisa”, afirmou o vice-governador.
Além do abastecimento de água, Barbosinha também ressaltou que o Estado mantém diálogo permanente com o Governo Federal para ampliar investimentos em áreas como habitação, infraestrutura e pavimentação dentro das comunidades indígenas.
Os dois avisos de licitação já têm data marcada para abertura: 3 de junho. Cada contrato prevê investimentos de R$ 4,49 milhões, com recursos do Ministério dos Povos Indígenas, por meio de repasses da Caixa Econômica Federal.
A execução ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), enquanto toda a elaboração técnica do projeto foi desenvolvida pela Sanesul.
E o projeto não se resume apenas à perfuração de poços. A proposta inclui reservatórios, adutoras e toda a estrutura necessária para garantir abastecimento contínuo, seguro e eficiente — algo que muitas famílias indígenas da região jamais tiveram de forma regular.
O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, classificou o projeto como um marco na execução de políticas públicas voltadas aos povos originários.
“Estamos falando de um projeto completo, que vai da perfuração dos poços à distribuição nas casas. É uma estrutura que garante água de qualidade, com pressão e continuidade. Mas, mais do que isso, é dignidade voltando para quem nunca teve acesso a um direito tão básico”, destacou.
O impacto positivo também deve refletir diretamente na saúde pública. As obras foram planejadas para acompanhar o crescimento populacional das aldeias até 2033, oferecendo segurança hídrica e reduzindo problemas sanitários causados pela irregularidade no abastecimento.
Na avaliação do secretário estadual de Cidadania, José Francisco Sarmento Nogueira, a iniciativa representa uma resposta concreta a uma reivindicação histórica das comunidades indígenas sul-mato-grossenses.
Enquanto as obras definitivas não começam, o Governo do Estado mantém ações emergenciais para evitar o desabastecimento nas aldeias. Atualmente, caminhões-pipa abastecem reservatórios e residências, com apoio da Defesa Civil e de agentes indígenas de saneamento que acompanham a distribuição de água nas comunidades.
Além disso, dois poços emergenciais já foram perfurados — um em cada aldeia — para amenizar a situação até a conclusão do novo sistema.
O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirmou que o projeto é fruto de um esforço técnico e institucional conduzido por determinação do governador Eduardo Riedel.
A expectativa agora é de que as obras avancem ainda neste semestre, transformando uma realidade marcada pela escassez em um novo capítulo de dignidade, saúde e inclusão para as famílias indígenas de Dourados.
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