Secretário de Saúde admite falta de medicamentos e prevê reposição na rede municipal até abril

por | fev 27, 2026 | Destaques, NOTÍCIAS, saúde

A falta de medicamentos na rede pública de saúde de Campo Grande foi admitida oficialmente pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Campo Grande. Segundo o gestor, a reposição dos estoques está prevista para ocorrer até o mês de abril.

A declaração ocorreu durante a prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), quando vereadores questionaram a recorrente reclamação da população quanto à indisponibilidade de medicamentos nas unidades básicas de saúde.

Problemas em licitações e atrasos na entrega

De acordo com o secretário, o desabastecimento está relacionado principalmente a entraves nos processos licitatórios e à postura de empresas vencedoras que, após apresentarem propostas com valores muito baixos, solicitam posteriormente reequilíbrio contratual. Esse trâmite pode gerar atrasos de até 60 ou 90 dias entre a licitação, o pedido e a entrega efetiva dos produtos.

Marcelo Vilela afirmou que a meta da pasta é manter entre 85% e 90% dos medicamentos disponíveis na rede municipal, com prioridade para os itens de uso contínuo e de maior demanda, especialmente os destinados à saúde mental e à rede psicossocial.

Orçamento elevado, mas insuficiente

Durante a audiência, o secretário destacou que o município tem aplicado cerca de 30% do orçamento na área da saúde — percentual acima do mínimo constitucional exigido. Ainda assim, classificou o cenário como de subfinanciamento estrutural.

Segundo ele, o orçamento anual da saúde na Capital gira em torno de R$ 2 bilhões, mas a demanda crescente da população exigiria, ao menos, mais R$ 6 milhões por mês para que o atendimento fosse plenamente regularizado.

Expectativa de normalização

A Sesau informou que novos processos de aquisição estão em andamento e que a expectativa é de que, até abril, a maior parte dos medicamentos esteja novamente disponível nas unidades de saúde.

Enquanto isso, usuários do Sistema Único de Saúde seguem enfrentando dificuldades para encontrar remédios essenciais na rede municipal, situação que tem gerado pressão política e cobrança por parte da Câmara e da população.

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