Jogo duplo ameaça o equilíbrio da direita em Mato Grosso do Sul

por | fev 6, 2026 | Destaques, NOTÍCIAS, OPINIÃO/ARTIGO | 0 Comentários

Falta de clareza, velhas manobras e teimosia política colocam em risco o projeto ao Senado, expõem fissuras internas e podem custar caro a quem insiste em ignorar o recado do eleitor.

A articulação da vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul entrou em ebulição — e não é pelo excesso de estratégia, mas pela falta de clareza. Nos bastidores, corre à boca pequena que Reinaldo estaria segurando Capitão Contar dentro do partido para impedir uma candidatura própria, movimento que não teria passado despercebido por Polon e Catan. Estes, por sua vez, já sondariam alternativas, possivelmente no Novo, para viabilizar projetos eleitorais que podem ir do Senado ao Governo. O cenário é de dispersão, desconfiança e jogo duplo

Toda essa engenharia política teria um objetivo final: garantir que Nelsinho Trad seja o segundo voto na chapa de Reinaldo, numa dobradinha velada. O problema é que parte significativa do grupo governista parece temer o óbvio. Há um “cheiro” — o mesmo que já se mostrou fatal em outras disputas — que remete à esquerda e que ajudou a derrubar Rose Modesto do favoritismo na corrida pela prefeitura. A história recente ensina: métodos antigos de fazer política, quando desconectados do sentimento popular, não raro acabam elegendo o “pior” candidato possível.

Ao insistir nessa condução, Reinaldo corre o risco de arrastar para perto de Riedel um estigma perigoso: o da simpatia com uma ideologia que a maioria do Estado claramente reprova. E isso justamente em relação a Riedel, que sempre se posicionou com firmeza à direita, mantendo diálogo apenas no plano institucional, sem flertes ideológicos. A incoerência pode custar caro.

O mais curioso é que a solução parece estar dentro de casa. Gerson Claro desponta como liderança, tem visibilidade, trânsito político e reúne requisitos objetivos para ocupar uma vaga majoritária. Ignorar esse ativo interno pode ser mais do que um erro tático; pode ser um tiro no pé.

Se insistir por teimosia, Reinaldo pode acabar naufragando duas candidaturas de uma só vez. Hoje a gente observa um eleitorado cada vez mais cansado dos extremos e pedindo, com clareza, um caminho de centro, equilíbrio e pragmatismo. A pergunta que fica é simples: quem, de fato, está ouvindo o que o povo está dizendo?

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