Não se trata de esquerda.
Não se trata de direita.
Não se trata de Lula, Bolsonaro, PT ou PL.
Trata-se de honestidade.
O vídeo que circula nas redes sociais, distorcendo uma fala do presidente Lula sobre educação, é mais um exemplo do câncer que a desinformação se tornou no debate público brasileiro. Um trecho foi retirado de contexto, recortado cirurgicamente para criar uma narrativa falsa, insinuando que o presidente desvaloriza o estudo da população pobre. Isso é mentira. Ponto.
O discurso original faz exatamente o oposto: critica a lógica histórica das elites que reservavam o ensino superior aos ricos, enquanto empurravam os pobres para o trabalho braçal. A fala defende a democratização do acesso à universidade, a expansão das federais e as oportunidades para jovens de baixa renda chegarem a profissões como medicina, engenharia e direito.
Mas nas redes sociais, a verdade perdeu espaço para a conveniência.
E aqui está o ponto central: Fake news não é opinião. É crime.
Não importa se quem espalha veste vermelho, verde, azul ou amarelo.
Não importa se o eleitor é lulista, bolsonarista ou “isentão”.
Quem manipula informação para enganar comete um ato desonesto contra a sociedade.
O mais simbólico desse episódio é que até um pastor bolsonarista, conservador, alinhado à direita, repudiou o vídeo manipulado. Ou seja: quando a verdade fala mais alto, a ideologia fica em segundo plano. Isso mostra que ainda existe gente séria em todos os campos políticos.
A desinformação não destrói apenas reputações.
Ela destrói o debate público.
Ela corrói a democracia.
Ela transforma o cidadão em massa de manobra.
O Brasil não vai avançar enquanto a política continuar sendo tratada como torcida organizada, onde vale mentir, manipular e enganar para “ganhar o jogo”.
Não se combate mentira com mais mentira.
Não se constrói país com distorção.
Não se educa uma nação com fake news.
Honestidade não é ideologia.
É caráter.
E caráter, hoje, anda em falta nas redes sociais.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









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