EDITORIAL — Câmara de Campo Grande: sete meses para decidir se ajuda a cidade ou apenas assiste ao caos

por | nov 26, 2025 | Câmara Municipal, informes, NOTÍCIAS

A prefeita Adriane Lopes diz que precisa de sete meses para recolocar Campo Grande no eixo.
Sete meses.
Menos tempo do que o ano inteiro em que a cidade ficou parada, esburacada, alagada e com a saúde por um fio.

A pergunta que o cidadão está fazendo — e que nós também fazemos — é simples:

Se em 12 meses a prefeitura não conseguiu entregar o básico, o que garante que em sete meses a cidade vai finalmente andar?

E mais: qual é o papel da Câmara Municipal nessa equação?
Porque agora não dá mais para vereador fingir que é apenas comentarista da situação.
Ou ajuda — de verdade — ou assume a parte da responsabilidade pelo fracasso.

Os vereadores sabem da realidade — e sabem que o prazo é apertado

O Legislativo já entendeu que a cidade vive o pior momento administrativo em muitos anos.
Tanto que figuras como Papy e Carlão tiveram de antecipar o duodécimo para impedir que o serviço de tapa-buraco entrasse em colapso total.

Isso foi louvável.
Foi maturidade política.
Foi responsabilidade.

Mas foi também um alerta:
se a Câmara não tivesse agido, a cidade teria parado.

E isso mostra o quanto o Executivo está fragilizado.

Agora, o desafio é maior: a cidade precisa de sete meses de resultados consistentes para não virar um canteiro de problemas.

A Câmara tem duas opções

Simples assim:

1️⃣ Ser protagonista

  • Cobrar cronograma realista.
  • Garantir transparência de contratos.
  • Fiscalizar obras e destravar votações importantes.
  • Ajudar a prefeita a executar tudo que precisa ser feito.

2️⃣ Ser cúmplice do fracasso

  • Fingir que está tudo bem.
  • Fazer discurso vazio.
  • Assistir à cidade se deteriorar.
  • Virar alvo da mesma indignação que hoje recai sobre a prefeitura.

O eleitor de Campo Grande já está cansado de “jogo de cena”.
Se o Legislativo não atuar com firmeza agora, o desgaste recai sobre todos.

Será que sete meses bastam?

Tecnicamente: é possível.
Politicamente: é improvável sem união real.
Administrativamente: só com ritmo de guerra.

Para recolocar a cidade no eixo em sete meses, será necessário:

  • executar obras todos os dias;
  • reorganizar a saúde com urgência;
  • contratar profissionais onde falta;
  • dar manutenção aos bairros esquecidos;
  • arrumar drenagem antes da próxima temporada de chuvas;
  • mostrar planejamento e liderança.

Sozinha, a prefeitura não consegue.

Com a Câmara atuando como poder independente, fiscalizador e parceiro da população, talvez consiga.

A verdade que ninguém diz: a Câmara tem mais poder do que admite

Vereador pode:

  • cobrar,
  • exigir,
  • propor,
  • bloquear erros,
  • acelerar acertos,
  • defender o cidadão,
  • chamar responsabilidade.

Se a prefeita falhar, será um fracasso compartilhado.
Se acertar, será uma vitória coletiva.

A cidade não quer guerra política.
Quer resultado político.

Conclusão: sete meses não são um prazo da prefeita — são um prazo da Câmara

O relógio está correndo.
Campo Grande não pode perder mais um ano.
Os vereadores têm diante de si a chance de:

  • ser parte da solução,
    ou
  • ser lembrados como parte do problema.

A história está sendo escrita agora.
E sete meses passam rápido demais.

Nota de responsabilidade editorial

Este artigo apresenta análise e opinião jornalística baseadas em fatos públicos, dados oficiais e informações previamente divulgadas pela imprensa. Não contém imputação de crime a qualquer pessoa, limitando-se a avaliar políticas públicas, decisões administrativas e efeitos de gestão, conforme o direito constitucional de crítica e fiscalização previsto no Art. 5º, IX, da Constituição Federal

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