Base de Adriane barra pedido de documentos sobre investimento do IMPCG em banco liquidado; oposição fala em risco a aposentados

por | nov 26, 2025 | Destaques, informes, NOTÍCIAS, política

Por Redação CliqueNewsMS

A Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou, por 12 votos a 11, dois requerimentos que pediam a entrega de documentos oficiais sobre o investimento de aproximadamente R$ 1,3 milhão do Instituto Municipal de Previdência (IMPCG) no Banco Master — instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central e é alvo de investigações da Polícia Federal.

Os pedidos foram apresentados pelos vereadores Luiza Ribeiro (PT) e Marquinhos Trad (PDT), que solicitavam contratos, atas e pareceres relacionados à operação feita com recursos da previdência dos servidores municipais.

A rejeição ocorreu após articulação da base da prefeita Adriane Lopes (PP), que trabalhou para derrubar a iniciativa.

O ponto central da cobrança é o fato de o IMPCG ter aplicado R$ 1.394.952,90 em Letras Financeiras do Banco Master, produto sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação do banco, o instituto entra na fila de credores, sem garantia de recuperação integral do valor.

Reportagens recentes apontam que o banco já vinha acumulando alertas de risco e passou a ser investigado pela PF por suposta gestão fraudulenta e emissão de títulos irregulares, o que elevou a preocupação dos parlamentares.

O investimento representa entre 2% e 3% da carteira total de aplicações da previdência municipal.

Base da prefeitura derruba requerimentos por um voto

Segundo apurou o CliqueNewsMS, a articulação para derrubar os pedidos foi conduzida pelo secretário de Governo, Ulisses Rocha, que mobilizou vereadores da base para garantir votos suficientes — inclusive com participação remota de parlamentares que não estavam no plenário.

Com isso, os requerimentos foram rejeitados por margem mínima.

Os vereadores alinhados à prefeita argumentam que já haverá, nesta sexta-feira (28), uma reunião fechada entre os parlamentares e o presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, que “irá prestar todos os esclarecimentos necessários”.

Para a oposição, porém, a reunião não substitui a necessidade de documentos formais.

O que a Prefeitura e o IMPCG dizem

O IMPCG afirma que suas aplicações seguem os parâmetros da Resolução 4.963/2021 do Conselho Monetário Nacional e que o Banco Master constava na lista de instituições autorizadas a operar com regimes próprios de previdência.

O instituto também sustenta que:

  • as decisões passam pelo Comitê de Investimentos;
  • o investimento representaria um percentual minoritário do patrimônio;
  • havia, à época, pareceres que permitiam a aplicação.

Por outro lado, representantes de servidores apontam que alertas internos sobre o risco do Banco Master eram feitos desde 2024 e que havia, inclusive, parecer técnico contrário à manutenção dos recursos.

Até agora, não foi apresentado nenhum plano formal da prefeitura para tentar recuperar o montante aplicado.

Argumentos da oposição

Os vereadores que defendiam o envio dos documentos sustentam três pontos principais:

  1. Risco aos aposentados — já que o investimento não tem cobertura do FGC.
  2. Falta de transparência — pois a Câmara precisa dos documentos para avaliar a legalidade e a segurança da aplicação.
  3. Possível falha de gestão — porque o banco já enfrentava questionamentos antes da liquidação.

Eles também afirmam que a rejeição dos requerimentos cria um precedente ruim na fiscalização dos atos do Executivo.

O caso local dentro de um problema nacional

O Banco Master captou recursos de fundos de previdência de diversos estados e municípios, e a liquidação da instituição pode resultar em prejuízos milionários ao setor público em todo o país.

Em Campo Grande, o foco agora é:

  • entender quem autorizou a aplicação;
  • avaliar se houve falhas técnicas;
  • verificar quais medidas serão tomadas para reduzir o prejuízo;
  • acompanhar os desdobramentos das investigações federais.

Enquanto a reunião com o presidente do IMPCG não acontece, permanece a preocupação com a exposição do patrimônio dos aposentados e servidores municipais da Capital.

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