Por Redação CliqueNewsMS
A Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou, por 12 votos a 11, dois requerimentos que pediam a entrega de documentos oficiais sobre o investimento de aproximadamente R$ 1,3 milhão do Instituto Municipal de Previdência (IMPCG) no Banco Master — instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central e é alvo de investigações da Polícia Federal.
Os pedidos foram apresentados pelos vereadores Luiza Ribeiro (PT) e Marquinhos Trad (PDT), que solicitavam contratos, atas e pareceres relacionados à operação feita com recursos da previdência dos servidores municipais.
A rejeição ocorreu após articulação da base da prefeita Adriane Lopes (PP), que trabalhou para derrubar a iniciativa.
O ponto central da cobrança é o fato de o IMPCG ter aplicado R$ 1.394.952,90 em Letras Financeiras do Banco Master, produto sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação do banco, o instituto entra na fila de credores, sem garantia de recuperação integral do valor.
Reportagens recentes apontam que o banco já vinha acumulando alertas de risco e passou a ser investigado pela PF por suposta gestão fraudulenta e emissão de títulos irregulares, o que elevou a preocupação dos parlamentares.
O investimento representa entre 2% e 3% da carteira total de aplicações da previdência municipal.
Base da prefeitura derruba requerimentos por um voto
Segundo apurou o CliqueNewsMS, a articulação para derrubar os pedidos foi conduzida pelo secretário de Governo, Ulisses Rocha, que mobilizou vereadores da base para garantir votos suficientes — inclusive com participação remota de parlamentares que não estavam no plenário.
Com isso, os requerimentos foram rejeitados por margem mínima.
Os vereadores alinhados à prefeita argumentam que já haverá, nesta sexta-feira (28), uma reunião fechada entre os parlamentares e o presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, que “irá prestar todos os esclarecimentos necessários”.
Para a oposição, porém, a reunião não substitui a necessidade de documentos formais.
O que a Prefeitura e o IMPCG dizem
O IMPCG afirma que suas aplicações seguem os parâmetros da Resolução 4.963/2021 do Conselho Monetário Nacional e que o Banco Master constava na lista de instituições autorizadas a operar com regimes próprios de previdência.
O instituto também sustenta que:
- as decisões passam pelo Comitê de Investimentos;
- o investimento representaria um percentual minoritário do patrimônio;
- havia, à época, pareceres que permitiam a aplicação.
Por outro lado, representantes de servidores apontam que alertas internos sobre o risco do Banco Master eram feitos desde 2024 e que havia, inclusive, parecer técnico contrário à manutenção dos recursos.
Até agora, não foi apresentado nenhum plano formal da prefeitura para tentar recuperar o montante aplicado.
Argumentos da oposição
Os vereadores que defendiam o envio dos documentos sustentam três pontos principais:
- Risco aos aposentados — já que o investimento não tem cobertura do FGC.
- Falta de transparência — pois a Câmara precisa dos documentos para avaliar a legalidade e a segurança da aplicação.
- Possível falha de gestão — porque o banco já enfrentava questionamentos antes da liquidação.
Eles também afirmam que a rejeição dos requerimentos cria um precedente ruim na fiscalização dos atos do Executivo.
O caso local dentro de um problema nacional
O Banco Master captou recursos de fundos de previdência de diversos estados e municípios, e a liquidação da instituição pode resultar em prejuízos milionários ao setor público em todo o país.
Em Campo Grande, o foco agora é:
- entender quem autorizou a aplicação;
- avaliar se houve falhas técnicas;
- verificar quais medidas serão tomadas para reduzir o prejuízo;
- acompanhar os desdobramentos das investigações federais.
Enquanto a reunião com o presidente do IMPCG não acontece, permanece a preocupação com a exposição do patrimônio dos aposentados e servidores municipais da Capital.
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