Gaeco prende pai e irmãos de Neno Razuk em operação que mira estrutura do jogo do bicho em MS

por | nov 25, 2025 | Destaque Policial, Destaques, informes, NOTÍCIAS

Operação Successione cumpre mandados em oito cidades e atinge núcleo familiar ligado há décadas à política e à contravenção no Estado

A terça-feira (25) foi marcada por um dos maiores desdobramentos no combate ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou uma nova fase da Operação Successione, que resultou na prisão do ex-deputado Roberto Razuk, de 84 anos, e de seus filhos Jorge Razuk e Rafael Razuk — pai e irmãos do deputado estadual Neno Razuk (PL).

A ofensiva foi realizada em Dourados, Campo Grande, Corumbá, Maracaju, Ponta Porã e em outros três estados. Ao todo, os investigadores cumpriram 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão, atingindo diretamente estruturas consideradas base para a manutenção do jogo do bicho em MS.

Segundo o Ministério Público, a operação busca desmontar uma organização criminosa armada que teria atuação contínua e hierarquizada na exploração de jogos ilegais. Em endereços ligados à família Razuk foram apreendidos mais de R$ 300 mil em espécie, além de armas, munições e equipamentos utilizados na coleta e registro de apostas.

A casa do ex-deputado Roberto Razuk, em Dourados, foi alvo de buscas logo nas primeiras horas da manhã. Ele já havia sido investigado no passado por crimes financeiros e chegou a ser preso na década de 2000 em operações federais. Agora, segundo os investigadores, seu núcleo familiar continuaria atuando na administração e cobrança do jogo do bicho no interior do Estado.

Também houve mandados em Campo Grande, onde equipes estiveram na residência de Marco Aurélio Horta, conhecido como “Marquinho”, chefe de gabinete do deputado Neno Razuk e homem de confiança da família há quase duas décadas. A operação também alcançou empresários e advogados apontados como operadores do esquema.

Embora o deputado Neno Razuk não tenha sido alvo de prisão nesta fase, a ofensiva reacende a pressão política em torno do parlamentar, já que fases anteriores da Successione atingiram assessores ligados ao gabinete dele. A presença do nome da família Razuk em documentos e relatórios do Ministério Público ao longo dos últimos anos indica que o grupo estaria entre os mais antigos e influentes no controle do jogo clandestino em MS — um cenário comparado por analistas à antiga força de famílias envolvidas na contravenção no Estado, como as desarticuladas na Operação Omertà.

A investigação segue em andamento. A partir das apreensões de dinheiro, documentos e maquinários, o Gaeco deve aprofundar a análise para identificar ramificações financeiras, participação de novos suspeitos e eventuais conexões políticas. Novas etapas da operação não estão descartadas.


Fontes: G1 MS, Midiamax, Campo Grande News, Correio do Estado.

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