Por João Carlos Silva – direto de Brasília
O Dia de Finados foi de orações aos que já não estão entre nós — e também de tristeza diante do que se viu nos cemitérios públicos de Campo Grande, especialmente no mais tradicional de todos: o Cemitério Santo Antônio.
Quase todos os túmulos estão destruídos. Poucos permanecem intactos. Há lixo por todos os lados, calçadas esburacadas, árvores prestes a cair. Jazigos foram invadidos e saqueados, restando apenas o descaso.
Os cemitérios públicos são de responsabilidade de empresas terceirizadas, contratadas e abonadas pela Prefeitura Municipal de Campo Grande. E a gestão, o que diz? Nada. Não há servidores ou departamentos encarregados de fiscalizar esse setor? Existem apenas no papel — para enfeite?
Será que quem comanda os destinos da cidade desconhece a situação dos cemitérios públicos? Difícil acreditar. O abandono vem de longa data, e segue sem reação da Prefeitura e da Câmara de Vereadores.
O Santo Antônio é o repouso eterno dos grandes desbravadores da cidade — daqueles que ajudaram a construir o que hoje é Campo Grande. E, pelo caminho que vai, no próximo ano o cemitério será apenas o jazigo de si mesmo.
Ou talvez seja mais conveniente vender o terreno e erguer ali um prédio de luxo. Renderia mais. O caixa público ficaria cheio — e um “bye bye” aos que descansam em paz.
Afinal, uma cidade sem memória também não tem vergonha. E o Santo Antônio é prova disso.










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