Senadora sul-mato-grossense denuncia ligação de alfaiataria de luxo com fraudes no INSS e cobra justiça para aposentados lesados
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) voltou a fazer duras críticas à atuação de empresas de apostas esportivas e ao escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), durante sessões da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e da CPMI do INSS, nesta semana em Brasília.
Taxação das bets: “Elas enriquecem em cima do povo brasileiro”
Soraya classificou como “absurda” a decisão de aumentar em apenas 2% a taxação sobre as chamadas “bets”, mesmo após as investigações da CPI das Apostas Esportivas.
“Enquanto a taxação para jogos de azar for pequena, as bets vão lucrar em cima do povo brasileiro”, afirmou.
A parlamentar destacou a discrepância entre os impostos cobrados de indústrias que geram empregos no país — como álcool e tabaco — e o baixo impacto tributário sobre as apostas.
“Cigarros têm cerca de 265% de taxação. O álcool, de 62% a 64%, conforme o teor alcoólico. As bets, mudar de 12% para 18%, eu acho é pouco. Elas empregam pouco e não entregam absolutamente nada. Estamos perdendo, no mínimo, 15 bilhões de reais por ano. Não faz sentido”, criticou.
CPMI do INSS: “Isso não foi erro, foi crime”
A senadora também reforçou sua cobrança por punições no escândalo de fraudes no INSS, que resultou em descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
“Aposentados e pensionistas foram vítimas de descontos indevidos, sem autorização, sem explicação, sem piedade. Gente humilde, que trabalhou a vida inteira, sendo lesada por um esquema criminoso que opera dentro do INSS”, afirmou.
Soraya foi enfática ao dizer que o caso não pode ser tratado como falha administrativa:
“Isso não foi erro, foi crime. Sabemos quem são os lesados. Agora queremos saber quem são os culpados. Quem autorizou? Quem se beneficiou? Quem acobertou? A CPMI do INSS é o caminho para abrir a caixa-preta e levar os responsáveis à Justiça.”
A parlamentar defendeu ainda que os culpados “não podem continuar escondidos atrás da burocracia” e prometeu insistir até que os envolvidos sejam presos.
“O povo brasileiro exige justiça. Chega de impunidade, chega de roubo!”, disse.
Denúncia sobre alfaiataria ligada ao escândalo
Durante audiência da CPMI, Soraya Thronicke fez uma denúncia inusitada, usando ironia e firmeza ao levantar suspeitas sobre o envolvimento de uma alfaiataria de luxo em esquemas de desvio de dinheiro do INSS.
A senadora afirmou haver “indícios fortíssimos e bem fundamentados” de que o estabelecimento estaria vestindo políticos e empresários ligados ao caso, funcionando como fachada para movimentações financeiras ilícitas.
“O depoente está vestido por uma alfaiataria ou por uma organização criminosa?”, questionou Soraya ao empresário Fernando Cavalcanti, ouvido pela CPMI.
Ela relatou que a alfaiataria em questão seria “muito bem frequentada”, inclusive por parlamentares, e que há suspeitas de patrocínios disfarçados ou empréstimos de dinheiro em troca de roupas.
“Apareceu um fio de linha bem fundamentado de que há envolvimento de uma alfaiataria masculina de grife, que está vestindo, inclusive, parlamentares, envolvida no escândalo do INSS. Eu fiquei abismada”, afirmou.
A senadora disse já ter iniciado apuração paralela sobre o caso, mas preferiu não divulgar nomes por enquanto.
“Fui atrás, lógico que eu não vou falar porque ainda não tenho elementos. Mas o Brasil um dia vai saber. Espero que logo”, declarou.
Encerrando a fala em tom provocativo, Soraya ironizou:
“Eu não entendo de roupa masculina, mas eu vou aprender a entender.”
A atuação firme da senadora na CPMI do INSS e nas comissões de tributação reforça seu posicionamento de combate à corrupção e defesa do contribuinte, temas que têm marcado sua trajetória no Senado Federal.






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