Editorial
O que vimos hoje em Brasília não é um gesto de “clareza e coerência”, como bradou o presidente do União Brasil ao lado de Ciro Nogueira e da senadora Tereza Cristina. É a velha manobra do centrão, esse bloco que não se guia por ideologia, mas pelo vento que sopra do Palácio do Planalto.
União Brasil e PP, colados ao governo até ontem, decidiram de repente descobrir a “honra” e a “fidelidade ao eleitor”. Só que esqueceram de contar ao povo que foram eles mesmos que, durante quase todo o mandato, distribuíram apoios, negociaram cargos e sugaram benefícios do governo que agora abandonam.
O discurso soa bonito, mas não engana ninguém. A tal “renúncia coletiva aos cargos” é menos sobre coerência e mais sobre conveniência. O governo Lula enfrenta desgaste, e os partidos fazem a conta eleitoral: pular do barco antes que afunde por completo, para posar de independentes e críticos.
Mas a hipocrisia é transparente. Porque se amanhã o governo for outro — seja de direita, seja de esquerda — esses mesmos partidos estarão lá, sentados à mesa, reivindicando espaço, negociando ministérios, repetindo o roteiro ensaiado de sempre. O centrão não muda. Ele apenas troca de lado para continuar no poder.
O gesto anunciado hoje não é clareza, é oportunismo. Não é coerência, é sobrevivência. E não é pelo povo, é por eles mesmos.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político









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