Enquanto dificilmente se mantém firme no mesmo barco, Fábio segue fiel ao legado do pai e à própria história — e dá um banho de coerência no cenário político turbulento de MS.
A história da família Trad sempre foi apresentada como exemplo de unidade e de respeito às origens. O patriarca Nelson Trad transitou por diferentes partidos, foi preso político na ditadura e chegou a ser chamado de comunista por defender habeas corpus e atuar como advogado em causas que desafiavam o regime. Essa coerência de princípios, mesmo sob ataques, marcou a trajetória do pai e serviu de referência para os filhos.
Fábio Trad se mostra herdeiro fiel desse espírito. Ao se filiar ao PT não o fez por oportunismo, mas por convicção, alinhando-se a um projeto político que dialoga com as lutas democráticas que sempre sustentaram sua família. Como presidente da OAB/MS e advogado criminalista, construiu uma reputação de firmeza, com críticas abertas ao bolsonarismo, à extrema-direita e aos defensores do golpe. Diferente do irmão Nelsinho, Fábio não se curvou às pressões do momento e manteve a defesa da democracia, do STF e de nomes que também enfrentaram ataques conservadores, como o ministro Alexandre de Moraes.
O contraste com o senador Nelsinho Trad é evidente. Antes exaltava a prisão do pai na ditadura como símbolo de resistência, mas hoje defende o bolsonarismo e aposta no PSD como terceira via governista para assegurar espaço político. A guinada soa contraditória, sobretudo porque ignora o discurso histórico que a própria família projetou em campanhas e mandatos. O pragmatismo de Nelsinho pode até lhe render acordos, mas cobra o preço da coerência.
Em tempos eleitorais marcados por alianças frágeis e discursos maleáveis, o eleitor já se cansou dos que mudam conforme o vento. A política pede autenticidade, não conveniência. E nesse cenário Fábio Trad representa constância e lealdade a valores que o tempo não apagou. Ele pode até disputar majoritariamente, mas o que o diferencia é algo maior: manter firme a coerência de quem honra a própria história e se coloca de maneira clara diante do eleitor.
Num tabuleiro em que muitos sacrificam princípios para permanecer em cena, Fábio Trad mostra que ainda há espaço para quem escolhe o caminho mais difícil, mas o mais digno. É esse tipo de política que conecta passado, presente e futuro — e que faz falta num Brasil carente de exemplos reais de coerência.







0 comentários