Opinião – Trump usou e descartou a família Bolsonaro?

por | ago 10, 2025 | Geral, informes, NOTÍCIAS

É o que tudo indica. Conforme apuração publicada pelo Estadão, Donald Trump não pretende adotar novas medidas contra autoridades do STF ou do Planalto, nem impor tarifas adicionais ao Brasil. Motivo? Já alcançou seus objetivos.

E a verdade é simples: Bolsonaro nunca foi peça central na estratégia americana — foi ferramenta. Desde a reeleição de Trump, a ligação com o ex-presidente brasileiro serve mais como lembrança útil do passado do que como instrumento real de poder. Trump já colheu os frutos dessa aliança e agora segue sua agenda, sem gastar capital político para proteger ou manter ativo o aliado que um dia lhe foi conveniente.

Bolsonaro, por sua vez, insiste em permanecer no protagonismo político, mesmo à beira de uma condenação que se aproxima. Seu jogo é sobreviver politicamente, usando cada aparição e cada menção externa para alimentar sua base e manter a narrativa de perseguição.

Até Eduardo Bolsonaro parece começar a entender que, de Washington, não virá mais nada. Em entrevista reproduzida pelo Metrópoles, ele admitiu: “Os EUA foram só o primeiro país, não vou parar”, numa clara sinalização de que busca outros palcos para manter viva a estratégia da família e se precaver de eventual ordem de prisão via Interpol.

Enquanto Trump movimenta suas peças mirando China, Rússia e Índia, Bolsonaro e seus filhos se apegam ao que sobrou do alinhamento automático: o simbolismo de já terem sido próximos do homem mais poderoso do mundo. Só que, no xadrez geopolítico, peça que já cumpriu sua função é descartada sem cerimônia.

Trump já deixou claro: o que queria do Brasil, ele já conseguiu. O resto, Bolsonaro vai ter que enfrentar sozinho — e o relógio judicial não para.

Joel Silva especial para o CliqueNewsMS

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