TEA, CACs e o direito à arma: o que muda com o avanço dos diagnósticos de autismo?

por | ago 3, 2025 | NOTÍCIAS

O número de brasileiros diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) disparou. Segundo o Censo 2022, já são mais de 2,4 milhões de pessoas — reflexo direto da maior conscientização, acesso ao diagnóstico e quebra de estigmas. Mas à medida que esse número cresce, surge uma pergunta delicada: pessoas com autismo podem ser CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores)?

TEA: o diagnóstico que veio pra ficar

A presença de pessoas com TEA no Brasil cresceu, mas não porque houve ‘surto de autismo’. O que mudou foi a capacidade do sistema de saúde de identificar casos, especialmente leves. Crianças e adultos passaram a receber o diagnóstico com base em critérios mais amplos, e o resultado foi um salto nos números.

E os CACs nessa história?

O CAC não tem porte de arma para defesa pessoal como o cidadão comum. O que ele tem é o chamado ‘porte de trânsito’, uma autorização para transportar a arma até locais específicos como estandes de tiro ou eventos de competição. Isso já exige regularidade, curso técnico, exame psicológico e documentação em dia.

Pode ser autista e CAC?

Sim, desde que cumpra todos os requisitos. O principal é o laudo psicológico favorável. Autistas com grau leve, sem prejuízos significativos na cognição ou regulação emocional, podem sim conseguir o registro e atuar como CAC. Já casos com maior comprometimento dificilmente receberão aval psicológico — e isso trava o processo.

O laudo psicológico é o divisor de águas

Não importa o diagnóstico. O que define se a pessoa pode ou não portar ou trafegar com arma é a avaliação psicológica. Esse laudo avalia estabilidade emocional, julgamento, impulsividade, percepção de risco e outros fatores fundamentais. É aí que muitos autistas enfrentam resistência, mesmo quando têm plenas condições de exercer a atividade de forma responsável.

Visão de futuro: inclusão com responsabilidade

O aumento dos diagnósticos de TEA deve vir acompanhado de maturidade institucional. A expectativa é que, com o tempo, psicólogos e autoridades entendam melhor os perfis do espectro e avaliem cada caso com critério técnico, não com preconceito. Afinal, o que importa para o sistema é segurança, equilíbrio e responsabilidade — e isso pode estar presente sim em muitos autistas que desejam atuar como CACs.


Fonte: Censo IBGE 2022, Portal Gov.br, CTCA, especialistas da área de saúde e legislação vigente.

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