A decisão do governo Trump de sancionar o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky — usada para punir autoridades acusadas de violar direitos humanos — desencadeou reações intensas nos Estados Unidos e expôs uma tensão política crescente entre Brasil e EUA. A medida foi articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e executada pelo Departamento do Tesouro sob influência do secretário de Estado Marco Rubio.
A sanção, que inclui o congelamento de ativos e a proibição de transações com cidadãos americanos, ocorre no momento em que Trump tenta reforçar sua imagem de comando global. A frase dita por ele em entrevista à revista *The Atlantic* — “I run the country and the world” — voltou a repercutir como reflexo direto dessa ofensiva contra o Judiciário brasileiro.
Reações nos EUA
O próprio Marco Rubio defendeu publicamente as sanções, acusando Moraes de liderar uma ‘caça às bruxas política’ contra Bolsonaro. Rubio também anunciou a revogação de vistos de membros do STF e de seus familiares. Segundo ele, a atuação do ministro teria violado liberdades fundamentais ao censurar redes sociais como X (antigo Twitter) e exigir o bloqueio de contas de cidadãos americanos.
Outros congressistas republicanos também entraram na jogada, como Cory Mills e Brian Mast, que apoiaram o lobby de Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo em Washington. Eles alegam que Moraes estaria extrapolando suas funções ao interferir em plataformas digitais hospedadas nos EUA, o que justificaria a punição.
Críticas internas e risco de desgaste internacional
Apesar do apoio do núcleo trumpista, setores diplomáticos mais moderados nos EUA alertaram para os riscos da medida. Um oficial do Departamento do Tesouro, em condição de anonimato, teria afirmado que sancionar um ministro do STF poderia comprometer a imagem dos EUA como defensores da democracia global, especialmente ao mirar uma corte de outro país democrático.
A crise se intensifica com o pano de fundo da retaliação econômica — Trump também anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O gesto foi visto por analistas como uma escalada coordenada contra o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, impulsionada por motivações ideológicas e de vingança política.
Quadro-resumo:
| Atores envolvidos | Posicionamento |
| Marco Rubio (Secretário de Estado) | Liderou a ofensiva, defendeu as sanções e revogação de vistos |
| Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo | Fizeram lobby direto por sanções nos EUA contra Moraes |
| Congressistas republicanos (Cory Mills, Brian Mast) | Apoiaram a sanção com base em defesa da liberdade digital |
| Setores diplomáticos moderados | Alertam para o risco de retaliações e dano à imagem internacional dos EUA |








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