A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), disse em entrevista à GloboNews que o entrave nas negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o “tarifaço” — sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump — está mais ligado à atuação do ministro Alexandre de Moraes do STF do que ao presidente Lula.
Segundo Tebet, o governo americano foi influenciado por informações equivocadas propagadas pela família Bolsonaro, o que estaria atrapalhando a retomada do diálogo diplomático. “O governo Trump está sendo induzido ao erro por mentiras da família Bolsonaro”, afirmou.
Ela destacou que o governo brasileiro ainda não chegou a “sentar à mesa” com os EUA — e que os norte-americanos demonstram resistência justamente em função da figura de Moraes. “A questão é muito mais Alexandre de Moraes do que o presidente Lula. O presidente não tem problema de ligar, mas falta um ponto de partida”, explicou.
Mesmo com o cenário tenso, Tebet garantiu que o governo já preparou um pacote de medidas técnicas para responder ao tarifaço, com apoio à exportação, linhas de crédito e eventuais ações antidumping, sem tom retaliatório ou prejudicial às contas públicas.
A ministra também rejeitou a ideia de retaliação fiscal e enfatizou que as decisões serão tomadas com base em análise técnica:
“Está tudo sendo avaliado internamente, mas posso adiantar que é muito menos fiscal do que se imagina”.
Sobre o Brasil não ser prioridade para os EUA nas negociações comerciais, Tebet afirmou que o país representa apenas 2% da balança comercial americana, o que explica a ausência de canais formais de diálogo até agora.
Contexto político: família Bolsonaro como elo entre Trump e Moraes
Tebet reforçou que a interferência bolsonarista nas frentes diplomáticas leva Trump a ver o Brasil através de lentes distorcidas, com reflexos diretos em medidas como o tarifaço. Ela apontou que o isolamento político do Brasil só se agrava com a falta de interlocução direta e transparente.
Enquanto isso, o presidente Lula se mantém aberto ao diálogo, mas ressalta que qualquer ligação com Trump depende de um ponto de partida concreto:
“O presidente Lula não tem problema de pegar o telefone e ligar. Mas é preciso minimamente de um ponto de partida”.
Resumindo
- Impedimento comercial: Impasse com os EUA não é culpa de Lula, mas da pressão sobre o STF via Alexandre de Moraes;
- Interferência bolsonarista: Família Bolsonaro teria passado informações que prejudicaram as negociações;
- Resposta do governo: plano técnico pronto para reagir ao tarifaço, focado em proteção à exportação e sem impacto fiscal indesejado;
- Situação diplomática: sem canal formal de diálogo até o momento, Brasil espera sinais claros dos EUA antes de avançar.








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