Brasil está fora do Mapa da Fome da ONU — e agora?
Relatório da ONU divulgado nesta segunda (28) marca uma virada histórica: o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, menos de dois anos após o início de um esforço concentrado contra a insegurança alimentar.
O anúncio foi feito durante a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba (Etiópia). Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o país atingiu uma marca crucial: menos de 2,5% da população brasileira vive em insegurança alimentar grave — critério que define a presença ou não no famigerado “mapa da vergonha”.
É a segunda vez que o Brasil alcança esse status. A primeira foi em 2014, após mais de uma década de políticas públicas robustas. Mas a volta ao mapa em 2018 expôs a fragilidade dessas conquistas. Em 2025, o país retoma a liderança mundial no combate à fome — com velocidade recorde.
🔍 O que fez a diferença?
Nos últimos dois anos, o governo federal intensificou ações por meio do Plano Brasil Sem Fome, e os resultados são nítidos:
- 24 milhões de pessoas saíram da insegurança alimentar em 2023;
- Pobreza extrema caiu para 4,4%, o menor nível já registrado;
- Desemprego em 6,6%, o menor desde 2012;
- Rendimento médio per capita de R$ 2.020;
- Índice de Gini (que mede desigualdade) caiu para 0,506 — também recorde histórico.
Além disso, programas como o novo Bolsa Família, PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), alimentação escolar fortalecida e aumento da cobertura do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) sustentaram o avanço.
🗣️ “Não há justiça social sem democracia”
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou a importância do planejamento e da decisão política:
“Mostramos que, com o Plano Brasil Sem Fome, muito trabalho duro e políticas públicas robustas, foi possível alcançar esse objetivo em apenas dois anos. Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia.”
Na cúpula, o Brasil também foi apontado como referência global por sua atuação na criação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, lançada em 2024, com mais de 100 países integrantes.
⚠️ Mas ainda não é hora de comemorar de vez
Especialistas alertam: estar fora do mapa não significa que a fome acabou. O relatório da FAO mostra que, apesar da melhora estatística, ainda há desafios como:
- Desigualdade de renda;
- Alta no preço dos alimentos;
- Desertos alimentares (regiões com pouco ou nenhum acesso a alimentos saudáveis);
- Vulnerabilidade nas periferias urbanas e zonas rurais isoladas.
Ou seja: o Brasil saiu do mapa, mas não pode sair da luta.
🌎 Um novo papel no cenário global
Com esse avanço, o Brasil volta a ser um protagonista na agenda de segurança alimentar e combate à pobreza no mundo. O desafio agora é consolidar essa conquista e garantir que políticas públicas não fiquem reféns de disputas ideológicas ou desmonte administrativo.
Se 2014 foi a glória e 2018 o retrocesso, 2025 é o recomeço — com mais pressa, mais foco e mais gente no centro da política.








0 comentários