Opinião do Joel Silva: O desmonte das narrativas

por | dez 6, 2025 | Destaques, informes, NOTÍCIAS, OPINIÃO/ARTIGO

As narrativas da família Bolsonaro — especialmente as sustentadas com fervor quase religioso por Eduardo Bolsonaro — vão ruindo como dominós empurrados pela própria realidade. A retórica que pintava Lula como inimigo dos EUA, do mercado e da liberdade, começa a colidir com um mundo onde Trump disca direto para o presidente brasileiro, negocia, abraça pautas estratégicas e enxerga no Planalto não um adversário, mas um parceiro útil.

As taxas já caíram, o clima diplomático mudou, e o tabuleiro geopolítico vem reposicionando peças que desmontam, uma a uma, as teorias conspiratórias espalhadas por lives, podcasts e círculos políticos que ainda tentam parasitar o discurso da guerra cultural. O pragmatismo venceu o palanque.

Agora surge um novo elemento que deixa claro o derretimento desse antigo discurso: o governo dos Estados Unidos estaria avaliando retirar as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro do STF Alexandre de Moraes e à esposa, Viviane Barci de Moraes — um gesto impensável na narrativa bolsonarista, onde o magistrado foi transformado em antagonista global e símbolo do “autoritarismo”.

Segundo fontes, o pedido já teria chegado à Casa Branca. E não por um milagre, mas dentro de um pacote político e comercial de alto calibre.

A possível revogação estaria ligada a um acordo bilateral de grande porte entre Lula e Donald Trump que envolve:

  • concessões estratégicas de terras raras,
  • revisão de ações contra redes sociais,
  • suspensão de taxas sobre big techs,
  • cooperação contra o crime organizado,
  • afastamento do Brasil da China no setor de satélites, favorecendo empresas como a Starlink.

Geopolítica, meu caro, não se faz com memes do X, nem com camisetas patrióticas. Se faz com pragmatismo, minério, influência, inteligência estratégica e — sobretudo — com quem está sentado à mesa. E quem está na mesa hoje não é Eduardo, não é Carlos, não é Bolsonaro. É Lula.

E tem mais: as negociações seriam intermediadas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS — nomes que até pouco tempo atrás eram tratados como encarnações do mal nos discursos bolsonaristas. Agora reaparecem como pontes diplomáticas, aceitando inclusive reduzir preço da carne nos EUA enquanto enfrentam investigações por cartel. O universo, como sempre, ama ironias.

No fim, o que vemos é o desmanche de narrativas que tentaram transformar a política externa brasileira em guerra ideológica. Enquanto setores da extrema direita vivem de vídeos inflamados e frases prontas, o mundo real segue movido por negócios, acordos, interesses e resultados.

O discurso cai. A realidade permanece.

E ela está dizendo, com todas as letras, que quem governa não é quem grita mais alto, mas quem negocia melhor.

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