O embate político entre os deputados Lídio Lopes (Patriota) e Pedro Pedrossian Neto (PSD), ocorrido nesta quarta-feira (29) na Assembleia Legislativa, reacendeu um debate que vai além do plenário: o desempenho e a transparência da gestão municipal de Campo Grande, conduzida pela prefeita Adriane Lopes (PP).
Da tribuna, Lídio reagiu às críticas feitas por Pedrossian Neto, que havia apontado falhas de gestão e falta de planejamento na Prefeitura. Em resposta, o parlamentar defendeu a atual administração — comandada por sua esposa — e atribuiu o desequilíbrio financeiro a um “buraco” de mais de R$ 100 milhões deixado pela gestão anterior de Marquinhos Trad (então PSD).
“É fácil falar em responsabilidade fiscal depois de deixar um buraco de mais de R$ 100 milhões. As dívidas que hoje sufocam a prefeitura nasceram quando o então secretário de Finanças, o senhor Pedro Pedrossian Neto, estava no comando”, afirmou Lídio Lopes.
Continuidade de gestão e cenário atual
O fato, no entanto, é que Adriane Lopes foi vice-prefeita durante toda a administração de Marquinhos Trad e assumiu o comando da Capital em abril de 2022, após a renúncia do então prefeito. Desde então, segue no cargo e foi reeleita — o que configura uma continuidade de projeto político e administrativo.
Nos últimos anos, Campo Grande enfrentou problemas recorrentes nas áreas de saúde, infraestrutura e gestão de pessoal. As filas em unidades básicas, a insatisfação de servidores com atrasos e congelamento salarial, além de bairros com pavimentação precária, continuam sendo apontados por entidades civis e pelos próprios moradores.
Entre o discurso e a prática
Enquanto Lídio tenta associar as dificuldades à herança de gestões passadas, a população ainda não percebeu mudanças estruturais significativas. A dívida pública municipal, a execução de obras paralisadas e o alto índice de contratos emergenciais seguem sendo questionados por vereadores e órgãos de controle.
O discurso de austeridade e responsabilidade fiscal contrasta com denúncias de gastos elevados com cargos comissionados e a retomada da chamada “folha secreta” — práticas já criticadas em administrações anteriores.
Os questionamentos que permanecem
Para que o debate avance com transparência e credibilidade, o CliqueNewsMS elenca pontos que merecem respostas públicas da Prefeitura de Campo Grande e do próprio Tribunal de Contas do Estado:
- Qual é o valor real da dívida herdada da gestão anterior?
Existe auditoria formal comprovando o “rombo” de R$ 100 milhões citado por Lídio Lopes? Onde e quando foi publicada? - Quais medidas efetivas a atual gestão adotou para reduzir essa dívida?
Houve cortes de cargos, revisão de contratos ou aumento de arrecadação que justifique o discurso de recuperação? - Por que áreas essenciais — como saúde e infraestrutura — continuam com os mesmos gargalos?
A prefeitura tem plano de metas público para resolver problemas que já vinham desde o período Trad? - Como está sendo utilizada a verba destinada a obras paralisadas ou inacabadas?
Há prestação de contas atualizada e disponível no Portal da Transparência? - Qual é a posição da Controladoria e da Secretaria de Finanças sobre os contratos emergenciais e suplementações orçamentárias?
Os relatórios estão abertos à consulta da população?
Responsabilidade pública
O CliqueNewsMS reforça que o papel do jornalismo é garantir espaço ao contraditório e à transparência. Por isso, a Prefeitura de Campo Grande, o deputado Lídio Lopes e o deputado Pedro Pedrossian Neto serão igualmente convidados a se manifestar sobre os pontos levantados.
A sociedade campo-grandense tem o direito de saber onde termina o discurso político e onde começa a responsabilidade administrativa.
Enquanto o embate se intensifica na tribuna, a realidade das ruas mostra que os desafios da Capital seguem os mesmos — com novos nomes, mas velhos problemas.






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