Deputado do PSD reage às críticas do marido da prefeita Adriane Lopes e cobra foco em resultado: “Com vida do ser humano não se brinca; a cidade quer gestão, não desculpa”.
Campo Grande (MS) — O embate entre os deputados estaduais Pedro Pedrossian Neto (PSD) e Lídio Lopes ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (29). Lídio, que é marido da prefeita Adriane Lopes (PP), subiu à tribuna para atribuir a Pedrossian — ex-secretário de Finanças do município — a responsabilidade por dificuldades atuais da Prefeitura. Pedrossian respondeu na mesma moeda, mas com um ponto que dói no desenho fiscal da Capital: o gasto com pessoal estourou o limite legal em 2023 e, mesmo em 2025, segue em patamar de alerta.


Em 2023, a Prefeitura gastou 55,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) com pessoal — acima do teto de 54% previsto na LRF. Em números, foram R$ 2,6 bilhões sobre uma RCL de R$ 4,8 bilhões.
Já em 2025, o Relatório de Gestão Fiscal do 1º quadrimestre mostra 52,99% — abaixo do teto, mas sem folga para acomodar pressões salariais e decisões judiciais. Em abril, o dado mensal bateu 54,62%, acionando o limite de alerta.

Pedrossian Neto foi direto: “Deputado Lídio, vossa excelência está equivocado quando tenta transformar cobrança em ataque pessoal. Quem desaprova a gestão é a população — e a nossa obrigação é entregar serviço público de qualidade. Com vidas humanas não se brinca”.
O que Lídio diz
Na versão do deputado, as “contas de hoje” seriam um efeito-colateral de dívidas herdadas da gestão anterior, quando Pedrossian foi secretário. Esse argumento, porém, não enfrenta os dados: em 2023 o limite legal estourou; em 2025, o município oscilou entre 52,99% (1º quadrimestre) e 54,62% (abril). Ou seja, a administração atual teve tempo e instrumentos para ajustar a curva e segue pressionada.
Por que isso importa
Quando a despesa com pessoal encosta ou supera os limites da LRF, a Prefeitura perde espaço para investir, trava contratações e pode sofrer restrições em operações de crédito. O impacto é direto no dia a dia: saúde, educação, manutenção urbana e mobilidade.
Dinheiro novo entra — e precisa virar serviço
Campo Grande também recebe recursos federais relevantes, que ajudam a compor o caixa (além de receitas próprias e transferências constitucionais). Não basta entrar dinheiro: é preciso qualidade de gasto para que repasse vire entrega.
O que o CliqueNewsMS cobrou — e Pedrossian endossou
– Transparência ativa: publicação, em linguagem simples, do plano de ajuste para manter o gasto com pessoal abaixo de 54%, sem empurrar despesas com a barriga.
– Calendário de entregas: datas e metas para obras, unidades de saúde, educação infantil e manutenção.
– Prioridade no essencial: atenção primária na saúde e manutenção de serviços não podem ser vítimas do desequilíbrio.
– Gestão de pessoal baseada em evidências: revisar cargos comissionados, dimensionar folha x produtividade e atacar judicialização recorrente.
Conclusão
O “debate do passado” não paga a conta do presente. Se a gestão estourou o limite em 2023 e segue na linha vermelha em 2025, não adianta dizer que “está tudo lindo”. Pedrossian Neto acerta quando cobra resultado mensurável. O contribuinte — e não o palanque — é quem precisa sentir a diferença.






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