O assassinato de Charlie Kirk e a exploração política no Brasil

por | set 14, 2025 | Destaques, informes, NOTÍCIAS, OPINIÃO/ARTIGO

Charlie Kirk, 31 anos, ativista conservador americano, foi assassinado dentro de uma universidade nos Estados Unidos. Pai de duas meninas, era conhecido por seu estilo de atuação: montava tendas em campi universitários com o desafio “Convince me” (“Me convença”) e promovia debates diretos, porém sem truculência. Diferente de figuras da extrema direita brasileira, como Lucas Pavanato, que invadem universidades e rasgam cartazes, Kirk apostava na polêmica pelo argumento – sempre em defesa de Donald Trump e de pautas ultraconservadoras.

Do ponto de vista humano, a tragédia é incontornável: duas crianças crescerão sem o pai. É nesse ponto que precisamos nos colocar acima das disputas políticas. Não se trata de concordar com suas ideias – que estavam muito à direita do espectro –, mas de expressar solidariedade irrestrita à família e de repudiar qualquer forma de violência política.

A apropriação da extrema direita brasileira

O que causa maior espanto é o uso político que setores da extrema direita no Brasil passaram a fazer do caso. Nomes como Nicolas Ferreira, Lucas Pavanato, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro tentaram transformar a morte de Kirk em bandeira para criminalizar adversários políticos e insuflar ainda mais ódio. Houve até propostas, nas redes, de que pessoas identificadas com a esquerda fossem demitidas de seus empregos. É a velha lógica de radicalizar para sobreviver politicamente.

Nicolas Ferreira chegou a escrever que “mataram a direita moderada” e que “é hora de ser extremista”. O recado é claro: com Bolsonaro condenado e inelegível, e com generais enfraquecidos, falta-lhes uma narrativa. A tragédia nos Estados Unidos virou pretexto importado para incendiar o Brasil.

O uso distorcido no STF e nas redes

Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo ainda distorceram falas do ministro Flávio Dino, tentando insinuar em inglês para o público americano que ele teria ironizado a morte de Kirk. O que Dino fez, na verdade, foi lamentar o assassinato e usá-lo como exemplo de que anistias a golpistas não garantem paz política. A manipulação foi calculada, mirando repercussão internacional.

Até mesmo Tarcísio de Freitas entrou no jogo, com uma nota de pesar aparentemente respeitosa, mas alinhada ao mesmo discurso estratégico da extrema direita.

A necessidade de serenidade

O Brasil vive às vésperas de 2026 e a tentação da radicalização é enorme. Mas como já alertava Carlos Drummond de Andrade em A Rosa do Povo (1945): “Este é tempo de partidos, tempo de homens partidos. (…) Tenho palavras em mim buscando canal”. A poesia de Drummond mostra como a polarização pode destruir pontes de diálogo e transformar o outro em inimigo.

O recado é simples: em vez de importar o extremismo, precisamos reafirmar serenidade, firmeza democrática e solidariedade – inclusive a quem pensa diferente. É papel da política construir pontes e não cavar abismos. A violência política, seja de direita ou de esquerda, não pode ser normalizada.

Por Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político

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