O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, jogou luz sobre um dos pontos mais sensíveis da última eleição presidencial. Em entrevista concedida em 27 de janeiro de 2023, ele revelou que Jair Bolsonaro tinha plena ciência de que estava atrás de Lula nas pesquisas internas do partido e, mesmo assim, manteve o discurso de desconfiança contra as urnas eletrônicas.
Segundo Valdemar, uma semana antes do pleito os relatórios internos mostravam o ex-presidente cerca de 1,5 milhão de votos atrás. Na sexta-feira, véspera da eleição, a diferença já chegava a 1,8 milhão. “Eu disse: isso é empate em 120 milhões de votos, mas quem estava crescendo era o Lula, não nós”, contou.
Questionado se Bolsonaro foi informado, Valdemar não deixou margem para dúvidas: “Contei, comentei com ele, ele sabe a minha opinião”.
Além disso, o dirigente disse confiar na Paraná Pesquisas, que já havia antecipado a vitória de Lula: “Eu confio muito na Paraná porque eles me deram o resultado antes da eleição do Bolsonaro”.
Apesar dos dados em mãos, Bolsonaro preferiu sustentar a narrativa de fraude, usada para mobilizar sua base política e que culminou na contestação violenta do resultado das urnas. “Eles pensam assim, o pessoal da direita pensa que houve manipulação, mas eu sempre confiei nas urnas”, reforçou Valdemar.
A fala escancara que a desconfiança no sistema eleitoral não passou de convicção, mas de estratégia política. Enquanto os números já apontavam a derrota, a versão de fraude foi alimentada deliberadamente — com consequências que ainda reverberam na democracia brasileira.
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