Setembro: O mês em que a política de MS vira laboratório do Brasil

por | set 2, 2025 | Destaques, informes, NOTÍCIAS, OPINIÃO/ARTIGO

Editorial

Não é exagero dizer que setembro entra para a história política de Mato Grosso do Sul. E o dia em que o Supremo julga Jair Bolsonaro, no mesmo compasso, o PL decide bater palmas para a filiação de Reinaldo Azambuja. Um casamento mal ensaiado, em cima do palco errado, com a plateia dividida entre vaias e aplausos.

De um lado, a direita bolsonarista grita “perseguição do STF”, tentando transformar o ex-presidente em mártir. Do outro, a esquerda petista esfrega as mãos, convencida de que finalmente haverá justiça contra Bolsonaro. Dois lados jogando pesado, sem espaço para meio-termo.

No meio dessa guerra, o PL em MS conseguiu a proeza de cavar mais um buraco: marcou a filiação de Reinaldo justamente no dia do julgamento. Coincidência? Ingenuidade? Ou uma jogada para enterrar, de uma só vez, Bolsonaro e a candidatura da direita em MS, como denunciou João Henrique Catan? O fato é que a cena é grotesca: enquanto uns rezam pelo futuro político de Bolsonaro, outros brindam a chegada de um ex-governador que carrega uma biografia nada bolsonarista.

Catan e Marcos Pollon perceberam o óbvio: o PL caminha para ser um partido rachado entre os que querem salvar Bolsonaro e os que já apostam em heranças eleitorais locais. Resultado? A tal “união da direita” em MS virou ficção de conveniência.

E o governador Eduardo Riedel? Escolheu a neutralidade como estratégia. Não se compromete com STF, não se compromete com Bolsonaro, não se compromete com Reinaldo. Joga parado, de olho em 2026, porque sabe que qualquer palavra hoje pode custar caro amanhã.

No fim, 12 de setembro expõe o que todo mundo já sabia: a direita em MS não fala a mesma língua, a esquerda está pronta para explorar o racha, e quem se move no silêncio — como Riedel — pode acabar levando vantagem.


Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em Mkt político

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